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20/07/2015 11:20 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Opositores e fundadores do PMDB apontam para saída de Eduardo Cunha do comando da Câmara

Montagem/Estadão Conteúdo

Fundadores do PMDB nos anos 1980, o deputado federal Jarbas Vasconcelos (PE) e o senador Roberto Requião (PR) não pouparam críticas ao presidente da Câmara e colega de partido, Eduardo Cunha (RJ). Em entrevista à Folha de S. Paulo neste domingo (19), Vasconcelos acompanhou o vice-líder do governo, Silvio Costa (PSC-PE), e sugeriu o afastamento de Cunha da presidência da Casa.

“Como ele vai ficar na presidência da Câmara dos Deputados acusado como foi, com todas as letras e toda clareza possível, por uma pessoa que diz que ele pediu US$ 5 milhões? Fica difícil, imensamente complicado. Não custa nada deixar o cargo temporariamente”, afirmou Vasconcelos ao jornal.

Já Requião usou a sua página no Twitter para criticar Cunha, dizendo que o deputado “é igual a tantos outros”, mas “não pode estar onde está”.

Outro nome conhecido e antigo no Congresso, o deputado federal Miro Teixeira (Pros-RJ) foi mais um a defender a saída de Cunha do comando da Casa. “Definida a responsabilidade penal, eu penso que ele (Cunha) deve ser afastado da Presidência da Câmara, em primeiro lugar. Mas seria útil se ele renunciasse”, afirmou, em entrevista à Folha.

Ainda na sexta-feira (17), dia em que Cunha formalizou a sua ida para a oposição na Câmara, rompendo em definitivo com o governo da presidente Dilma Rousseff (PT), partidários do Psol e do PCdoB também pediram o afastamento do peemedebista.

Outra a pedir a saída de Cunha foi a ex-ministra Marina Silva, terceira colocada das eleições presidenciais do ano passado. Para ela, o perigo é que políticos usem seus poderes para interferir nas investigações. “Devemos exigir o afastamento dos que ocupam cargos cujos poderes possam interferir nas decisões. Mas desde já precisamos estar atentos contra qualquer tentativa de sabotagem”, escreveu Marina em artigo enviado ao blog do jornalista Matheus Leitão, do G1.

Por enquanto, Cunha segue negando todas as acusações de envolvimento do seu nome com a Operação Lava Jato e já avisou que não deixará o cargo.

Poucos apoios

Dentro do PMDB, o deputado federal Hugo Motta – presidente da CPI da Petrobras e aliado de Cunha – foi um dos poucos a virem a público com uma mensagem de apoio ao presidente da Câmara. Ele manteve, em entrevista à Rádio Estadão, o discurso da sigla (“foi uma opinião de caráter pessoal”), sem esconder que Cunha “teve os seus motivos” e que “terá a solidariedade dos seus companheiros de PMDB”.

Entre outros partidos, apenas o deputado federal Paulinho da Força (SDD-SP) apoiou abertamente a posição de Cunha, que permite “se aproximar do impeachment de Dilma”, de acordo com nota divulgada pelo parlamentar.

Partidos de oposição como o PSDB e o DEM adotaram a cautela e não se posicionaram abertamente a favor do presidente da Câmara após o rompimento com o governo federal.