NOTÍCIAS
16/07/2015 19:45 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

'Quem não deve, não teme', diz Cunha sobre denúncias da Lava Jato

Montagem/Estadão Conteúdo

As novas denúncias de que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), teria pedido propina fizeram com que o peemedebista dedicasse um momento da sua tarde para se defender. Na opinião de Cunha, o delator foi obrigado a mentir para abalar a imagem do Legislativo.

Na tarde desta quinta-feira (16) foi noticiado que o consultor Júlio Camargo, que trabalhou como consultor das empreiteiras Toyo Setal e Camargo Côrrea, disse à Justiça Federal que foi pressionado por Cunha a pagar US$ 10 milhões de propina em contratos da Petrobras. Do total, US$ 5 milhões foram pagos diretamente ao peemedebista. O depoimento, feito em delação premiada, é mais um capítulo da Operação Lava Jato.

Na terça-feira (14), outro braço da investigação fez uma ação de busca e apreensão na casa do senador Fernando Collor (PTB-AL) e apreendeu seis carros de luxo.

Para Cunha, há um objetivo claro em constranger o Legislativo, que pode ter o Executivo por trás em articulação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

“Foi muito estranho o que fizeram essa semana. Não discuto o mérito do cumprimento dos mandados, discuto a decisão de fazer com descrição e fizeram questão de fazer um estardalhaço, com helicóptero sobrevoando casa de senador. E agora ao mesmo tempo que eu vou fazer um pronunciamento em rede de televisão para falar sobre o que a Câmara tem feito e tem um aprofundamento de uma discussão de qualquer pedido de impeachment.”

Na opinião de Cunha, as denúncias não passam de ilações. “O delator está mentindo, desmentindo o que ele próprio já tinha dito. Ele, por si só, já perde o direito a delação”, emendou.

"A mim, não vão fragilizar. Estou absolutamente tranquilo. Com certeza absoluta, a mim, não vão fragilizar. Quando tentaram fazer isso com a instalação do inquérito quatro meses atrás o efeito foi reverso, foi bumerangue. (...) Não tenho dificuldade nenhuma para rebater quem quer se seja. Quem não deve, não teme.”

Denúncia

De acordo com o jornal O Globo, os US$ 10 milhões que Cunha teria pressionado Camargo a pagar se referem a dois contratos de US$ 1,2 bilhão de navios-sonda, assinados pela Petrobras entre 2006 e 2007.

"O deputado Eduardo Cunha não aceitou que eu pagasse apenas a parte dele. Ele me disse: 'Olha, Júlio eu não aceito uma negociação para pagar só da minha parte, você pode até pagar o Fernando mais dilatado, o meu eu preciso mais rapidamente. Mas eu faço questão de você incluir no acordo o que ainda falta você pagar ao Fernando. E aí chegou entre US$ 8 e 10 milhões de dólares que eu paguei através de depósitos ao Alberto no exterior, paguei através de operações com a GFD (empresa registrada em nome de Alberto Youssef) e fiz pagamentos diretos ao Sr. Fernando Soares. Daí liquidei os pagamentos”, disse Camargo, segundo O Globo.

Cunha negou ser sócio de Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano. Questionado pelos jornalistas, Cunha rebateu: “Querido, eu não sou sócio de ninguém."