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13/07/2015 14:25 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:40 -02

Dermatologista de São Paulo critica água após viagem e ataca mulheres da Bahia: 'Agora já sei porque usam turbante'

Montagem/Reprodução Facebook e Instagram

A médica dermatologista paulista Adriana Chedid Awada se envolveu em uma polêmica por conta de uma postagem feita por ela em uma rede social da sua clínica. Após retornar de uma recente viagem à Bahia, a médica criticou a qualidade da água e ressaltou os supostos efeitos que teriam sido causados aos seus cabelos.

“Uma semana lavando os cabelos na água da Bahia, foi uma das piores coisas que os meus fios já viram! Ficaram duros, com aspecto de sujo, difíceis de pentear, textura quase melecada, enfim, cruel demais! Passei os últimos quatro dias usando rabo de cavalo e todos os produtos que tive acesso!!! Agora já sei porque as baianas usam turbante!!! Precisamos nos internar no salão, lavar muito, hidratar para que eles voltassem ao norma!!! (sic)”, escreveu.

dermatologista

Postagem causou revolta nas redes sociais (Reprodução/Instagram)

A péssima repercussão da postagem fez com que os comentários viralizassem nas redes sociais.

racismo

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A dermatologista acabou apagando a mensagem horas depois de tê-la postado, neste domingo (12).

Em entrevista ao Brasil Post, a jornalista Ivana Dorali, coordenadora da Rede de Mulheres Negras da Bahia, criticou durante o “teor racista” da postagem da médica de SP. De acordo com ela, o turbante é “um elemento da mulher negra, como uma coroa” e é lamentável ter de lidar com “declarações racistas como essa em pleno século 21”.

“Dá a sensação de que todo o trabalho de conscientização racial, de defesa mínima de igualdade, não vale de nada. Vira e mexe aparecem casos como esse. É um absurdo, já que o turbante é um elemento da nossa história, da nossa resistência e ancestralidade”, afirmou Ivana.

A representante do movimento negro baiano achou irônico uma médica de SP, Estado que vive uma grave crise hídrica, falar em qualidade da água de outro Estado. Além disso, Ivana garantiu que as declarações não ficarão sem resposta.

“Uma coisa racista dessas não atinge apenas o movimento negro da Bahia, mas todo o País. Vai haver uma resposta sim, até porque o movimento negro não vem em sua luta de combate ao racismo para ver atitudes como essa ficarem assim”, completou.

A reportagem do Brasil Post procurou a dermatologista Adriana Awada. Na clínica, a informação é de que ela “está de férias”. Dois e-mails foram enviados para a médica, para os quais não houve resposta até a publicação desta matéria.

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