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08/07/2015 19:02 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

Com ventos polares, lua Titã de Saturno é mais parecida com a Terra do que se pensava

NASA/JPL/Space Science Institute

A lua Titã de Saturno é muito mais parecida com nosso planeta do que se pensava.

Cientistas haviam descoberto antes que a maior e mais nebulosa lua de Saturno é o único objeto no sistema solar — além da Terra — que tem rios, chuva e mares.

Como a Terra, é maior do que o planeta Mercúrio e possui uma superfície rochosa.

E agora, cientistas descobriram outra coisa que Titã e a Terra têm em comum: ventos polares. Na verdade, o vento polar generalizado está lançando o gás da atmosfera de Titã para o espaço.

“Precisamos entender os mecanismos pelos quais Titã perde sua atmosfera. Gostaríamos de entender isso melhor em Titã e em outros objetos”, disse ao The Huffington Post por e-mail Andrew Coates, professor de física da University College London, na Inglaterra, que conduziu a pesquisa sobre ventos polares.

Coates e seus colegas descobriram o escoamento de gás depois de analisar dados do Espectrômetro de Plasma, instrumento da sonda espacial Cassini (CAPS) da NASA, que está na órbita de Saturno.

O aparelho detectou partículas escapando da atmosfera de Titã.

Com base nos distintos espectros das partículas identificadas, os pesquisadores concluíram que deve haver um vento polar generalizado em Titã.

“A atmosfera de Titã é feita principalmente de nitrogênio e metano, com 50% a mais de pressão em sua superfície do que na Terra”, escreveu Coates.

“Dados do CAPS mostraram há alguns anos que a parte superior da atmosfera de Titã está perdendo cerca de sete toneladas de hidrocarbonetos e nitrilos todos os dias, mas não explicaram por que isso estava ocorrendo. Nosso novo estudo fornece evidências do porquê.”

(Artigo continua abaixo)

Essa nuvem na estratosfera sobre o polo norte de Titã (esquerda) é semelhante às nuvens estratosféricas polares da Terra (direita). Os cientistas da NASA descobriram que a nuvem de Titã contém gelo de metano, cuja formação não era imaginada naquela parte da atmosfera. A sonda Cassini avistou a nuvem pela primeira vez em 2006.

Mais uma semelhança entre a misteriosa Titã e nosso planeta poderia sugerir que a estranha lua abrigaria seres vivos? Não tão rápido, segundo Coates.

“As implicações na verdade são sobre a história atmosférica de Titã ao longo do tempo”, explicou o professor por e-mail.

“Como um alvo astrobiológico, Titã é potencialmente interessante devido às espécies de hidrocarboneto e nitrilo presentes, e a presença de um oceano de água sob a superfície mostrado em nossos estudos.

Mas Titã era e ainda é muito fria para os seres vivos — talvez [isso mude] em alguns bilhões de anos, quando o Sol se tornar um gigante vermelho e aquecer o sistema solar exterior.

Alvos mais prováveis para [a existência de] vida no passado ou no presente são Marte; Europa [uma das quatro luas de Júpiter]; e Encelado [outra lua de Saturno].”

Um artigo descrevendo a nova pesquisa foi publicado no site revista daGeophysical Research Letters, em 18 de junho de 2015.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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