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07/07/2015 22:17 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

Um ano depois e a coisa só ficou mais deprê. E lá vamos nós para um novo 7x1

GABRIEL BOUYS via Getty Images
Brazil's defender David Luiz walks off the pitch after losing the semi-final football match between Brazil and Germany at The Mineirao Stadium in Belo Horizonte on July 8, 2014, during the 2014 FIFA World Cup. AFP PHOTO / GABRIEL BOUYS (Photo credit should read GABRIEL BOUYS/AFP/Getty Images)

Não foi um ano fácil. De 8 de julho de 2014 até agora parece que tudo tem ficado mais complicado.

Vocês lembram. Era Brasil x Alemanha. Mas virou passeio.

O Galvão Bueno ficou triste, mas nem ele nem ninguém poderia imaginar que aquela tarde no Mineirão seria fichinha perto de tudo que ainda estava por vir. Então segura o Rivotril, respire fundo e vamos para os gols contra mais recentes que os poderosos e cartolas insistem em impor ao futebol brasileiro.

1. O FBI, Marin e seus amigos

O ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) José Maria Marin e outros seis dirigentes da Fifa acabaram presos em maio num hotel de luxo na Suíça. A ação cinematográfica tem participação do FBI e investiga um esquema de corrupção para a escolha das sedes das próximas duas Copas do Mundo, além de pagamentos de propinas da ordem de US$ 100 milhões (R$ 313,4 milhões).

O escândalo envolve cartolas da América Central e América do Norte. Com reservas de US$ 1,5 bilhão e tendo lucrado mais de US$ 5 bilhões com a Copa do Mundo no Brasil em 2014, a Fifa parece ter perdido sua aparente blindagem. A operação se transforma no maior escândalo já vivido pela entidade já acostumada com casos de corrupção. Joseph Blatter renuncia.

Ao ex-mandatário da CBF só restou tentar se livrar da Justiça americana. Ele já gastou R$ 1,9 milhão para não ser extraditado para lá.

2. Sai Felipão e volta Dunga!

Depois daquela acachapante tarde em Belo Horizonte, o clima era de terra arrasada. Comentaristas, entendedores, palpiteiros, corneteiros e até quem nada sabe de futebol. Todos unidos pela fome de mudança. Novos ares, novos nomes. Que tal um estrangeiro? Mas o que fez a CBF? Apostou em Dunga! A partir daí a história você já sabe. Foram 11 amistosos sem derrotas para desaguar numa campanha pífia na Copa América. Empate com o Peru, derrota para a Colômbia e eliminação nos pênaltis para o Paraguai, o lanterna das últimas eliminatórias para a Copa.

Nada que não pudesse ficar ainda mais triste. Para explicar o quanto se sente perseguido pela imprensa e pelos torcedores, o treinador da Seleção se saiu com a terrível frase: "Nós éramos ruins com sorte e os outros eram bons com azar. Aquela Seleção tinha uma cobrança de 40 anos sem Copa América e 24 anos sem Copa. Até acho que sou afrodescendente de tanto que apanhei e gosto de apanhar. Os caras olham para mim e falam 'vamos bater nesse aí'. E começam a me bater, sem noção e sem nada".

3. Aquela olhadinha no retrovisor

Começou o Conselho de Desenvolvimento Estratégico do Futebol Brasileiro. O nome parece legal, a ideia parece cheia de boas intenções. Mas a realidade é bem diferente. Quem forma o conselho? As mesmas pessoas de sempre. Carlos Alberto Parreira e Mario Jorge Lobo Zagallo, para começar. Mas tem também Paulo Roberto Falcão, Carlos Alberto Silva, Sebastião Lazaroni, Candinho e Ernesto Paulo (?!). Foram convidados, mas não aceitaram: Mano Menezes, Luiz Felipe Scolari, Vanderlei Luxemburgo, Émerson Leão e Edu. Nada de Tite, Muricy Ramalho ou Marcelo Oliveira, os técnicos mais vencedores dentro do futebol brasileiro nos últimos anos.

Parece que a Seleção é um clubinho e que só quem já pisou lá pode entrar ou é capaz de discutir sobre o tema. Ouvir quem vem de fora? Renovação? Olhar como se faz para além das nossas fronteiras? Nada. A solução será sempre olhar para dentro. E de bônus ainda rolou “vocês vão ter que me engolir”. Triste.

4. A Neymardependência e o “valor de marketing”

O mito que ouvimos durante a infância contava que o jogador brasileiro era dotado de técnica, sagacidade e habilidade para além do usual. Romário, Ronaldo, Rivaldo, Alex e outros tantos fizeram parecer que aquilo tudo impregnado e vendido no botequim fazia e sempre fez sentido.

Mas lembre o ataque que entrou no Mineirão para tentar um gol contra a Alemanha... Hulk, Fred e Bernard. Onde foi parar aquele borogodó todo? Em Neymar. Só em Neymar. Na Copa América, Neymar foi capitão, camisa 10, armador, centroavante e ponta-esquerda. Perdeu a cabeça, é claro. Foi expulso contra a Colômbia e passou do limite nas provocações. Sozinho é sempre bem difícil.

Mas para onde foram os talentos? Boa parte deles vem do uso impróprio da Seleção e do futebol como um todo. Documentos obtidos pelo Estadão mostram que a CBF "leiloava" as convocações de atletas. No tácito acordo, o jogador “titular” precisa ser substituído por um outro como o “mesmo valor de marketing”. Quem ganhava? Agentes, cartolas e empresas registradas em paraísos fiscais, longe do Fisco brasileiro.

5. A CBF manda, e os clubes aceitam caladinhos

A Câmara dos Deputados aprovou na noite desta terça-feira (7) a medida provisória que cria o Programa de Modernização da Gestão e Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (Profut). O chamariz é a possibilidade de renegociação das dívidas dos clubes, estimadas em R$ 4 bilhões, em até 240 meses ( 20 anos), corrigidas pela taxa Selic.

Mas por trás da aparente vitória mora uma grande movimentação da bancada da bola. O voto qualitativo dos clubes - proporcional às estruturas e torcidas - e o voto dos atletas não foram aceitos no texto final aprovado. Dois pontos centrais para tentar desmobilizar o controle exercido pela CBF frente aos clubes.

O déficit zero das equipes - depois da atuação dos deputados aliados da CBF - também passou a aceitar 5% negativos nas contas. É acompanhar de perto para ver se as contas não passarão a ser maquiadas. Ou mesmo se os clubes respeitarão as contrapartidas.

6. Futebol? Prefiro o Netflix

Basta digitar “campeonato brasileiro 2015 pior” no Google. Faça o exercício. Não vai precisar de muita força para ver que já registramos a pior média de público nos estádios para a rodada de estreia nos últimos três anos, que as 30 primeiras partidas do Brasileirão tiveram somente 60 gols.

Passes errados, erros bizarros, poucos habilidade, árbitros que expulsam sem motivo ou distribuem cartões por puro prazer. Nada disso parece atrativo para sair de casa e ir ao estádio.

Mas parece que a coisa está tão ruim que até mesmo a audiência na televisão está sendo afetada. A partida entre Chapecoense x São Paulo registrou 12 pontos no Ibope, média esperada para a fase inicial do Campeonato Paulista. E depois não entendem a expansão da Netflix ou a maré de camisas de clubes europeus pelas ruas.

7. “Guardiola? Não, obrigado”

Dani Alves abriu a boca em entrevista exclusiva da ESPN Brasil. Na véspera do fatídico aniversário do eterno 7 x 1 contra a Alemanha, o lateral da Seleção Brasileira soltou a bomba: Pep Guardiola queria assumir o comando da Seleção durante o Mundial 2014. Diz ele que o catalão aceitava, inclusive, uma espécie de contrato de risco, pelo qual receberia por resultados obtidos. Tinha equipe traçada no papel e tudo.

"Antes da Copa, o Pep queria treinar a Seleção Brasileira e não quiseram. O Pep falou que queria fazer a gente campeão do mundo e tinha toda a estratégia e não quiseram. Falaram que não sabiam se o Brasil iria aceitar".

É. A coisa está deprê.

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