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07/07/2015 19:54 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

Coletivo de Limeira (SP) cria movimento contra vereador que quer barrar o debate de gênero nas escolas

Reprodução Facebook

O coletivo LGBT Cores, de Limeira (SP), promoveu uma campanha em prol do debate de gênero nas escolas desde que o vereador Toninho Franco (PR) apresentou uma emenda para proibir discussões sobre ideologia de gênero nas salas de aula do município, que fica a 135 quilômetros de São Paulo.

A campanha reúne imagens com frases que as pessoas ouviram na infância, com o intuito de mostrar por que o assunto deve ser abordado desde cedo.

Galeria de Fotos Eles defendem debater gênero nas escolas Veja Fotos

A discussão sobre gênero é um dos pontos do Plano Municipal de Educação -- que são metas a serem cumpridas no âmbito escolar nos próximos dez anos.

"É uma censura [a ação do vereador]. A partir do momento que você proíbe um debate, você remete ao período de ditadura militar. A nossa Constituição é baseada em direitos sociais", diz Stefan Müller, representante do coletivo.

Toninho Franco defende que o debate de gênero não fique a cargo dos colégios. "A educação escolar tem que ser diferente da educação familiar. Isso [a questão de gênero] afasta os pais dos filhos, afasta a identidade da criança", diz o vereador.

"Respeito muito a comunidade LGBT, tenho amigos, parentes, são pessoas maravilhosas, iguais a nós. Mas somos contra que a escola tenha que passar princípios éticos e religiosos para os filhos", completa.

Franco também opina que o debate de gênero nas escolas não seria aprovado na Câmara Municipal mesmo sem a sua emenda. Com sua proposta, ele espera que o assunto nunca seja apreciado pela Casa.

Protesto

Um grupo de 100 pessoas, segundo o LGBT Cores, protestou nesta segunda-feira (6), na Câmara Municipal, dia em que seria votada a proposta de Franco. Por conta do tumulto, a sessão teve que ser adiada. "Estaremos lá na próxima votação. Querem desestimular os movimentos sociais, a resposta é que não vamos negociar. Temos que ser atendidos de acordo com a democracia", diz Müller.

Toninho Franco avalia que a atuação dos manifestantes foi conturbada. "Eles ofenderam o Poder Legislativo, ofenderam a minha pessoa, viraram as costas no hino nacional. Eles prejudicaram a eles mesmos", conta.

O coletivo nega que tenha desrespeitado os vereadores.