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06/07/2015 15:34 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

Impeachment é uma hipótese 'impensável', minimiza Michel Temer

RENATO COSTA /FRAME/ESTADÃO CONTEÚDO

O vice-presidente Michel Temer (PMDB) iniciou a semana apagando fogo. O peemedebista foi escalado para defender o governo do furacão doimpeachment, que voltou à pauta com a recondução do senador Aécio Neves (MG) à presidência do PSDB, e das críticas do seu próprio partido.

Depois que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse que o vice deveria deixar a articulação do governo por considerar o PT o sabota, Temer disse que fica no cargo.

Em coletiva de imprensa, nesta segunda-feira (6), o vice-presidente disse que o impeachment é uma hipótese "impensável" para "o momento atual" e que a petista está "tranquila" diante do cenário político.

"Vejo essa pregação com muita preocupação. Não podemos ter a essa altura uma tese desta natureza sendo patrocinada por vários setores", disse, ao lado dos ministros Aldo Rebelo (Ciência e Tecnologia) e Gilberto Kassab (Cidades), além do líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS).

Temer pediu ainda "tranquilidade", negou que o Brasil passe por uma crise política e destacou que o impedimento de Dilma poderia levar a uma "crise institucional indesejável para o País".

A fala do presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, foi encarada com ironia. O tucano disse que o fim do governo de Dilma Rousseff pode acontecer "mais breve do que alguns imaginam" e sugeriu que o PSDB pode voltar ao Planalto.

Questionado sobre o tema, Temer disse esperar que um novo governo tucano só ocorra nas eleições programadas para 2018.

Ele evitou polemizar com os tucanos e disse que o PSDB está "fazendo o seu papel". Mas pediu que qualquer espécie de crise institucional seja deixada de lado, entre outras razões porque repercute negativamente em outros países sul-americanos.

Temer disse ainda desconhecer qualquer conversa mantida entre integrantes do PMDB e do PSDB para um possível apoio dos tucanos caso ele assuma a Presidência na eventualidade de um impeachment de Dilma.

Qualquer sondagem de peemedebistas nesse sentido não foi institucional, mas algo isolado, minimizou Temer: "não há razão para esse tipo de conversa. Queremos manter a chapa tal qual eleita para todo o mandato."

Diga que fico

Temer afirmou ainda que permanece na articulação política, estando designado pela presidente para ocupar o cargo ou não.

"Essa especulação se vou deixar a articulação política ou não, eu acho um pouco fora de prumo", disse. "O que se espera do vice é que ajude na articulação política."

Também respondeu comentários de Cunha, feitos na semana passada, de que estaria sendo "sabotado por parte do PT" e por isso deveria deixar a articulação política do governo.

"Não há sabotagem nenhuma, há naturais dificuldades", afirmou o vice, referindo-se aos trâmites administrativos e burocráticos para a liberação de recursos de emendas parlamentares e para a indicação de nomes para cargos do terceiro escalão do governo.