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06/07/2015 13:28 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

Após a maioria dos gregos rejeitar as medidas de austeridade, o que acontece com o país?

AP Photo

Um dia após o referendo que manifestou a vontade de ampla maioria da população grega em não aceitar as condições de austeridade propostas pelos credores do país, especula-se o que vai acontecer a partir de agora.

O ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, apresentou nesta segunda-feira (6) sua renúncia, a pedido do primeiro-ministro. De acordo com sua declaração, será mais fácil para o premiê grego, Alexis Tsipras, alcançar um acordo com os credores sem sua presença no governo. Quem assume o cargo é Euclid Tsakalotos.

Em duas semanas, o país se depara com mais um importante prazo: chegará a hora de pagar uma dívida de 3,5 bilhões de euros para o Banco Central Europeu.

Reuniões, reuniões e mais reuniões!

Os representantes da Comissão Europeia, do Conselho Europeu, do Eurogrupo e do Banco Central Europeu (BCE) também se reúnem nesta segunda, por teleconferência, para discutir a situação do país. Participarão os presidentes da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, do Conselho Europeu, Donald Tusk, do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, e do BCE, Mario Draghi.

Em Bruxelas, vai se reunir o grupo de trabalho do euro, que integra os responsáveis do Tesouro ou os vice-ministros da Economia e das Finanças dos países da zona do euro. A análise que será feita da situação vai ser entregue ao Eurogrupo - composto pelos ministros da Economia e das Finanças da zona euro - que se reúne nesta terça (7), antes da reunião extraordinária dos países da zona euro.

A expectativa é de que neste encontro a Grécia apresente novas propostas aos seus credores.

Os bancos devem continuar fechados

O governo planeja prorrogar o fechamento de bancos para além desta segunda por ao menos alguns dias, disseram quatro fontes do setor bancário antes da reunião entre executivos do setor e o ministro das Finanças. Segundo fontes ouvidas pela agência Reuters, o feriado deve ser ampliado até sexta-feira (10) ou segunda-feira (13) que vem.

O decreto expira nesta segunda , e o governo deve emitir um novo decreto em substituição.

De acordo com o Guardian, o sistema bancário do país beira o colapso: há apenas 500 milhões de euros em caixa, cerca de 45 euros por pessoa.

Segundo o Washington Post, se o Banco Central Europeu não socorrer - mais uma vez - as instituições bancárias gregas, o sistema do país quebrar. Nesse caso, o país tem duas opções: pegar dos correntistas ou imprimir mais dinheiro. A segunda opção só é viável caso o país tenha uma moeda própria.

E o Euro?

Embora a saída da Grécia da Zona do Euro seja uma possibilidade BEM real, há expectativa de líderes europeus em que se chegue em um acordo para que o país não abandone a moeda única.

Apesar do resultado do referendo, a maioria dos gregos já sinalizou que deseja continuar usando a moeda. Especialistas ouvidos pelo Guardian estimam as chances de saída da Grécia do bloco em 60%.

Tudo indica que as próximas 48 horas - e a decisão do BCE em injetar, ou não, mais dinheiro na economia do país - serão fundamentais para o futuro da Grécia.