COMPORTAMENTO
04/07/2015 18:54 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

Meu ex-namorado, o estuprador

Nick Scott

Durante nosso relacionamento, meu ex-namorado me estuprou.

Sem entrar em detalhes desnecessários, com o tempo, ele decidiu que gostava de transar mais do que respeitava meu consentimento. Por mais embaraçoso que seja assumir isso em retrospectiva, acabei dizendo para mim mesma que não disse realmente "não", então ele tecnicamente tinha meu consentimento, assim eu não precisava lidar com a verdade desconfortável de que meu namorado estava, essencialmente, me estuprando.

A palavra "essencialmente" é vital aqui porque, por um longo tempo, eu não conseguia usar a palavra estupro para descrever o que estava acontecendo sem um advérbio para minimizar isso: essencialmente, basicamente, tipo assim, quase. Exauri todos eles até acreditar na minha própria história. Eu sabia a definição de estupro, claro, só tentei me convencer que não. E isso foi mais fácil do que você pode imaginar.

Toda vez que meu namorado me estuprava, fora um senso de choque, isso não era muito diferente, fisicamente, do sexo normal. Com consenso ou sem, ser fodida pelo meu namorado parecia, bom, ser fodida pelo meu namorado. E é aí que ficam as águas turvas que cercam a palavra. É triste. Sim, eu disse não. Sim, ele me ignorou. Repetidamente. Mas enquanto isso era psicologicamente desconfortável, o ato nunca foi violento. Não era como você "espera" que um estupro seja. Não fiquei com marcas visíveis. Eu só ficava com meu estuprador nos meus braços depois, enquanto ele chorava.

Quando você está apaixonada pelo seu estuprador, o pensamento de denunciá-lo começa a penetrar sua mente. Mas para mim, esses pensamentos não duravam muito. Esse homem tinha traído minha confiança de uma maneira antes inimaginável para mim, mas o remorso dele parecia verdadeiro. Ele prometia que nunca mais faria isso, e eu acreditava nele. E no meu conturbado estado mental, eu focava nas outras coisas boas do nosso relacionamento. Até a vez seguinte. De novo ele prometia que, claro, ia mudar. E eu acreditava nele mais uma vez.

Nunca procurei a polícia e, por muito tempo, não contei isso a ninguém – mas as coisas mudaram. Eu o perdoava apenas por uma fé cega e esperança desesperada. Sim, ele me machucava, mas eu ainda me importava muito com ele e – de maneira nauseante – não queria colocá-lo em problemas. Ele podia perder o emprego. Eu disse a mim mesma que eu podia destruir a vida dele. Ele tinha escolhido cometer o crime, mas, no fundo, eu ainda sentia que se ele fosse punido, seria culpa minha. Suas amostras de remorso sempre conseguiam represar minha vontade de denunciá-lo.

E o amava.

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