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03/07/2015 15:22 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

Maju Coutinho: garota do tempo do Jornal Nacional é alvo de racismo nas redes sociais do programa da Globo

Reprodução / TV Globo

A jornalista Maria Julia Coutinho voltou a ser vítima de comentários racistas, desta vez em uma publicação na página do Facebook do Jornal Nacional na noite desta quinta-feira (2). Os comentários publicados durante a madrugada por leitores da página e expectadores do jornal foram extremamente pejorativos e racistas.

Tempo fica firme em grande parte da região central do Brasil nesta sexta: http://glo.bo/1LH2god

Posted by Jornal Nacional on Quinta, 2 de julho de 2015

Mais tarde, as mensagens negativas foram removidas do perfil do jornal pela equipe que administra a rede social. "Só conseguiu emprego no JN por causa das cotas preta imunda", "Não bebo café para não ter intimidade com preto", diziam alguns dos comentários racistas:

Em contrapartida, outros usuários, revoltados com os comentários preconceituosos, saíram em defesa da jornalista e se manifestaram rebatendo os comentários no post.

O jornalista e chefe de Maju, William Bonner, deu a resposta perfeita a todos os preconceituosos:

Mais tarde, Maju respondeu um dos comentários de forma... brilhante!

E ganhou apoio de toda a equipe do Jornal Nacional:

Não foi a primeira vez...

Maria Julia Coutinho estreou como garota do tempo no Jornal Nacional em abril, e é a primeira negra a assumir a função. Irreverente, ela integra o time que deixa o jornalístico mais "descontraído" e integrado com o telespectador -- certa vez ela incluiu imagens de pontos turísticos na meteorologia após sugestão de um telespectador, por exemplo.

Mas, com comentários racistas, como no dia em que foi chamada de “cabelo ruim” por um internauta nas redes sociais, ela disse em entrevista ao Jornal Extra, do Rio, que não gasta energia com isso:

"Não me abalo. Acho triste, mas sou muito consciente. Cresci numa família que militou no movimento negro. Não perco muito tempo com isso", contou.

Em entrevista ao UOL, Maria Julia disse que existe um certo "peso" em ser a primeira ocupando este lugar, mas que vê, com isso, um resultado muito positivo e transformador:

"Tenho ficado feliz. De uns tempos para cá, minha cor tem ficado invisível na maioria das entrevistas que estou dando. Tenho sido tratada como Maria Júlia Coutinho, a Maju, a jornalista, e ponto. É assim que deve ser, pois ninguém se refere ao Bonner como o jornalista branco de cabelos grisalhos, nem à Renata [Vasconcellos] como a jornalista de cabelos castanhos e pela clara".

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