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02/07/2015 22:07 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

'Rasta', tatuagem, piercings e vida numa van. Quem é o tenista que derrotou Nadal

GLYN KIRK via Getty Images
Germany's Dustin Brown returns against Taiwan's Lu Yen-Hsun during their men's singles first round match on day two of the 2015 Wimbledon Championships at The All England Tennis Club in Wimbledon, southwest London, on June 30, 2015. RESTRICTED TO EDITORIAL USE -- AFP PHOTO / GLYN KIRK (Photo credit should read GLYN KIRK/AFP/Getty Images)

“Um grande dia. Provavelmente o melhor dia da minha vida até então”.

Não dá para duvidar. Quando falou isso, Dustin Brown, número 102 do mundo, havia acabado de vencer, pela segunda vez na carreira, o favoritíssimo Rafael Nadal. A vitória desbancou o espanhol, cabeça de chave número 10 e bicampeão de Wimbledon, do torneio mais respeitado e importante do tênis mundial.

A vitória por 3 sets a 1 (7/5, 3/6, 6/4, 6/4) de Dreddy – apelido de Brown, obviamente por conta da cabeleira - na segunda rodada do Grand Slam britânico seria notícia por si. Uma enorme zebra. Daqueles resultados que não é comum ver no tênis. A história fala sozinha, mas o tenista negro merece algumas linhas também.

O cabeludo tem 30 anos e, até aqui, nenhum título de ATP. Troféus só em duplas, levantados nos anos de 2010 e 2012. Filho do jamaicano Leroy e da mãe alemã, Inge, o “rasta” já pode dizer que não foi motivo de brigas em casa. Ele iniciou a carreira como tenista vestindo as cores jamaicanas, mas desde 2010 virou a casaca e agora é mais um nas fileiras germânicas, país, aliás, onde nasceu.

O motivo que levou Brown a mudar de nacionalidade pode ser imaginado: a falta de investimento e suporte por conta das autoridades esportivas jamaicanas. O perrengue era tanto que Brown ganhou uma van de presente dos pais. O motivo? O veículo (e casa) ajudaria a diminuir os gastos e a manter Brown circulando pela Europa atrás de jogos e torneios. O veículo era equipado com cozinha, banheiro e tinha três camas. Um computador e uma máquina de encordoar raquete também foram adquiridos para serem usados no dia a dia.

Na costela esquerda, Brown tatuou o rosto do cantor de reggae Dennis Brown. Pelo corpo estão espalhados alguns piercings, incluindo um na língua.

O estilo arrojado também aparece em quadra. Na partida desta quinta-feira, Dreddy não abriu mão de seu estilo agressivo, subindo à rede em diversas oportunidades e forçando as jogadas ao limite do executável.

"Nunca havia jogado na Quadra Central antes. Pensei que ficaria um pouco maluco, mas eu não tinha nada a perder. Eu comecei muito, muito bem e isso me ajudou demais", disse após a vitória. “É fácil jogar contra alguém que eu gosto porque aí não tenho medo de perder”.

Vencendo ou não na terceira rodada, Dreedy já pode guardar seu dia de rei em Wimbledon para sempre.