COMPORTAMENTO
01/07/2015 13:10 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02

O que aprendi sobre estilo com 'Black or White' do Michael Jackson

Semana passada a Rachel Dolezalcolocou a pigmentocracia americana em frenesi, e estou vomitando até agora. Quando fiquei sabendo das imensas contribuições que Dolezal havia feito à NAACP (Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor) e à comunidade afro-americana, contudo, reconheço que perguntei a mim mesmo: será que importa se ela é negra ou branca? Embora fatos recém-revelados sobre a vida de Dolezal indiquem que sim, tenho que cumprimentar a mama por ser muito mais a favor da causa do que a maioria das pessoas, independente de raça.

Como alguém de pai branco e mãe negra, vivenciei a fluidez de minhas próprias associações raciais a vida toda. Às vezes me sinto "mais branco" ou "mais negro", dependendo de como estou vestido, de que música estou ouvindo, com quem estou, onde estou, etc. É um luxo a que tenho direito, por ser de ambas as raças. Como fatores tão mundanos influenciam com grande facilidade a minha identidade racial, não consigo achar que seja muito difícil que influenciem a identidade racial de alguém com um negro a menos entre os progenitores do que eu. Especialmente quando essa pessoa provavelmente sabe tanto (se não mais) sobre a herança da minha progenitora negra quanto ela ou eu.

Mas eu, como quase todo mundo, nem conheço essa senhora, então deixem eu voltar para o meu caminho e minimizar o risco de ameaças de morte em comentários de Facebook. A questão sobre a raça de Dolezal obviamente me fez lembrar do hit lançado por Michael Jackson em 1991, Black or White. Como o histórico de Dolezal, o vídeo (dirigido por John Landis, de "Thriller") contém algumas representações questionáveis de certas culturas, e alguns cortes de cabelo questionáveis também. Eles merecem que aliviemos para o lado deles, por causa das intenções kumbaya, ou que olhemos torto, por serem ofensivos e um tanto vulgares?

Vejamos.

P.S. Perdoem pela qualidade de algumas dessas capturas de tela. As pessoas acharam por bem que a maior resolução dos vídeos de Michael Jackson fosse de 480p. Amadores.

O vídeo começa com um garoto (interpretado por Macaulay Culkin) curtindo um heavy metal no quarto de casa. Seu pai (George Wendt) entra como uma bola de demolição, e manda, gritando, que Culkin desligue o som e vá dormir. Culkin, contudo, não é de engolir desaforos de ninguém. Então ele coloca alto-falantes colossais na sala, onde os pais estão no sofá, largadões, os liga na guitarra, e vai subindo o volume até o nível "CÊ TÁ MALUCO?!". Depois de se paramentar com uma única luva sem dedos (dã) e óculos escuros, Culkin toca sua guitarra, emitindo pelos alto-falantes ondas sonoras tão potentes que fazem o papai e sua poltrona voarem pelo mundo e aterrissarem na África. É claro.

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