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29/06/2015 21:34 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02

Dez adolescentes com idade entre 16 e 17 anos são assassinados por dia no Brasil

Tomaz Silva/ Agência Brasil

O Brasil perde, por dia, 10,3 adolescentes com idade entre 16 e 17 anos assassinados. Isso representa quase metade do total de jovens que morreram em 2013, de acordo com o Mapa da Violência: Adolescentes 16 e 17 anos.

O estudo foi divulgado na véspera da data marcada para a Câmara dos Deputados votar o primeiro turno da proposta de emenda à Constituição que reduz a maioridade penal para 16 anos no caso de crimes graves.

Ainda segundo o estudo, foram registradas 8.153 mortes nesta faixa etária, sendo 3.749 (46%) vítimas de homicídio. A maioria desses jovens que morreram assassinados é do sexo masculino, com até sete anos de estudo e é composta por negros.

Entre os jovens com 17 anos, 84,1% foram assassinados com arma de fogo. Apesar dessa marca, no Acre, em Roraima e no Amapá, o uso de armas corantes-penetrantes se iguala ou supera o de revólveres.

De acordo com o Mapa, "as causas externas de mortalidade vêm crescendo de forma assustadora nas últimas décadas". "Na década de 1980 representavam 6,7% do total de óbitos na faixa de 0 a 19 anos de idade, em 2013 a participação elevou-se de forma preocupante: atingiu o patamar de 29%. Tal é o peso das causas externas, que em 2013 foram responsáveis por 56,6% – acima da metade – do total de mortes na faixa de 1 a 19 anos de idade.”

O levantamento enfatiza que destaca que, em 2013, os homicídios representaram 13,9% da mortalidade de 0 a 19 anos de idade; a segunda causa individual: neoplasias, tumores, representa 7,8%.

Na conclusão do estudo, feito há 17 anos, o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz questiona os argumentos usados para justificar a redução da maioridade penal:

"Vemos com enorme preocupação que os mesmos argumentos são esgrimidos na tentativa de fundamentar a diminuição da maioridade penal, alavancados pela fúria de certa mídia sensacionalista e pela enorme inquietação da população diante de uma realidade cotidiana cada dia mais complicada e violenta. Esquece-se, de forma muito conveniente, que não foram os adolescentes que construíram esse mundo violências e corrupção. Esse está sendo nosso legado. Devem ser eles a pagar a conta?"