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26/06/2015 19:20 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02

Pelo jeito, o Dunga acha que afrodescendente é aquele só leva porrada

Silvia Izquierdo/AP
Brazil's coach Dunga gestures during a press conference in Concepcion, Chile, Friday, June 26, 2015. Brazil will face Paraguay in a Copa America soccer match Saturday. (AP Photo/Silvia Izquierdo)

"Nós éramos ruins com sorte e os outros eram bons com azar. Aquela seleção tinha uma cobrança de 40 anos sem Copa América e 24 anos sem Copa. Até acho que sou afrodescendente de tanto que apanhei e gosto de apanhar. Os caras olham para mim e falam 'vamos bater nesse aí'. E começam a me bater, sem noção e sem nada. Aqui na seleção só tem uma opção: ganhar. É um preço bom que se paga. É uma alegria e um orgulho defender esse País"

A fala do treinador brasileiro está destacada no Uol e na ESPN. Ela surgiu nesta sexta-feira (26), durante uma entrevista coletiva a um dia da partida decisiva entre Brasil e Paraguai, pela Copa América. A polêmica resposta do treinador brasileiro veio quando ele foi perguntado sobre a pressão sofrida pela equipe de 1994 - que se saiu vencedora na Copa do Mundo - e a seleção atual.

Em sua primeira passagem pela Seleção, Dunga chegou a ter desentendimentos com jornalistas por sua postura, ora intransigente, ora intimidatória. Mas, na mesma entrevista desta tarde onde surgiu a infeliz declaração sobre os afrodescendentes, ele jurou ter mudado.

"Creio que a gente tem uma evolução a cada dia. Passando quatro anos, é lógico que mudei muito. Menos mal. Vi certas coisas você não vai mudar na pessoa. É inútil debater argumentos. Você tem de focar mais em trabalho. As outras coisas à parte não me importam muito".

Depois da repercussão negativa, o técnico se retratou: "Quero me desculpar com todos que possam se sentir ofendidos com a minha declaração sobre os afrodescendentes. A maneira como me expressei não reflete os meus sentimentos e opiniões".