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20/06/2015 09:14 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:32 -02

Haitianos, iraquianos, futebol e solidariedade. Vai rolar a 2ª Copa dos Refugiados!

Caritassp

Jean Katumba nasceu na República Democrática do Congo, mas vive no Brasil há dois anos.

Ele é um dos responsáveis pela 2ª Copa dos Refugiados, que será oficialmente lançada neste sábado (20), no Sesc Interlagos, zona sul de São Paulo. Os jogos oficiais ocorrem em agosto.

Do primeiro para o segundo ano, conta Jean, o torneio cresceu. Eram 16 e agora são 24 times. Africanos, latino-americanos, asiáticos e europeus. Iraquianos, haitianos, congolenses, malinenses... Como a Copa do Mundo da Fifa, a representação do globo é diversificada. Mas as semelhanças morrem aí. Ninguém é milionário. Os poucos jogadores profissionais que disputam a Copa dos Refugiados acabaram deixando seus países por divergências políticas ou religiosas.

Para este sábado (20) está previsto também um amistoso entre as duas seleções de Nigéria e Camarões, as finalistas da primeira edição do torneio, realizado no ano passado. Acnur/Unhcr Américas, Caritas Arquidiocesana de São Paulo, Prefeitura de São Paulo e Sesc Interlagos ajudam na organização do torneio.

Brasil Post: Como foi a primeira edição?

Jean Catumba: Na primeira foram selecionados 16 times e fizemos um campeonato de dois dias. No primeiro foram oito jogos e no dia seguinte, num domingo, foram mais oito. Eram jogos eliminatórios e Camarões e Nigéria chegaram na final.

Este ano vai haver um time haitiano? Quais outros países vão estar representados?

As regras dizem que os times devem ter a maioria de refugiados. E aí percebemos que tem haitianos no Brasil que são refugiados também. Burkina Faso, Mali, Camarões, Guiné Bissau, Togo, Angola, República Democrática do Congo, Costa do Marfim, Nigéria, Serra Leoa...

Quantos nacionalidades estão representadas neste ano?

Nesta edição são 24. A maioria de africanos, mas tem da América, da Europa e da Ásia também. Terá Bangladesh, Iraque, Síria...

Tem algum time que pode ser considerado favorito?

Está todo mundo se preparando para levar a taça. Ainda não sabemos qual é o favorito. Os refugiados [que vão jogar] estão mudando, os jogadores já se prepararam.

Qual a importância do torneiro na cabeça de um refugiado?

A maioria dos participantes já jogou no passado e que gosta de futebol. Mas tem também jogadores profissionais que foram maltratados em seus países, saem de lá, vêm para cá e querem jogar. É um campeonato que pode dar um valor para os refugiados.

E você joga?

JEAN: Só organizo! (risos)

Mas por quê? Não tem futebol suficiente?

JEAN: É um campeonato que todo mundo quer pegar a taça e tem de deixar para quem joga bem e que consiga levantar a taça para a minha comunidade, né?

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