COMPORTAMENTO
19/06/2015 20:51 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:32 -02

Crianças de três anos têm senso de justiça

Keith Jensen/Divulgação

Crianças têm reputação de teimosas, egoístas e incapazes de dividir as coisas. Mas um estudo publicado nesta quinta-feira, 18, no veículo Cell Press mostrou que os pequenos, entre três e cinco anos, têm um nível surpreendente de preocupação com os outros e senso intuitivo de justiça.

Segundo a pesquisa, as crianças preferem devolver itens perdidos aos seus proprietários e impedem terceiros de tomar aquilo que não os pertence.

Na faixa etária estudada, as crianças são tão propensas a responder às necessidades de outro indivíduo como são para as suas próprias, mesmo quando o "outro" é representado por um fantoche.

Conduzida por pesquisadores do Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária, na Alemanha, da Universidade de Manchester, na Inglaterra, e da Universidade de St. Andrews, na Escócia, as descobertas mostram uma nova visão sobre a natureza do senso de justiça.

"Parece que esse conceito, centrado no dano causado às vítimas, emerge cedo na infância", escreveram os cientistas.

Uma maneira de entender as raízes da justiça na sociedade humana é estudar o surgimento precoce dessa característica em crianças.

O artigo mostrou que elas são mais propensas a compartilhar com um fantoche que ajudou outro indivíduo do que com amigos que se comportaram mal.

Além disso, os pequenos preferem que sejam punidos apenas aqueles que fizeram algum mal, e não os que se comportaram.

No Instituto Max Planck, os pesquisadores deram às crianças a oportunidade de retirar objetos de um fantoche que havia "roubado" de outro.

Quando ofereceram opções, elas preferiram devolver o item ao dono do que punir o trapaceiro, retirando o artefato de perto dele.

"A mensagem desse estudo é que as crianças pré-escolares são sensíveis com os outros e podem entender o dano causado à vítima", disse o psicólogo Keith Jensen, da Universidade de Manchester, um dos autores do estudo.