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18/06/2015 22:21 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:32 -02

Depressivos do mundo, uni-vos: lembranças positivas podem curar depressão

ADEM ALTAN via Getty Images
Turkish women laugh during a yoga session in a public garden in protest against Turkey's Deputy Prime Minister Bulent Arinc, in Ankara, on August 2, 2014 Arinç equated public laughter by women with immorality. Women in Turkey have responded with a Twitter campaign of images of themselves laughing. AFP PHOTO/ADEM ALTAN (Photo credit should read ADEM ALTAN/AFP/Getty Images)

Quem passou pela depressão sabe que uma das coisas mais difíceis na hora mais escura é conseguir tirar da cabeça pensamentos e lembranças negativas. Mas, se for possível, lembranças boas podem muito bem aliviar a depressão e imediatamente. Ao menos se você for um rato geneticamente modificado recebendo um feixe de luz azul direto nos neurônios no laboratório de Susumu Tonegawa.

Foi isso que o cientista do MIT fez. Funcionou assim: Tonegawa alterou ratos geneticamente para que seu cérebro tivesse proteínas sensíveis à luz. Com isso, os cientistas conseguem identificar quais neurônios são ativados quando uma memória é formada. Esses mesmos neurônios podem ser ativados novamente quando uma luz azul é emitida contra eles, trazendo de volta a memória.

Os cientistas usaram a primeira parte para gravar o armazenamento de uma memória prazerosa nos ratos: a exposição de machos a uma fêmea. Os mesmos ratos depois tiveram seus movimentos restritos por dez dias, o que causa depressão por estresse sabe-se que eles estão deprimidos porque param de se interessar por água açucarada e não reagem quando são pegos pelo rabo, comportamentos de um rato mentalmente saudável.

Com os ratos devidamente repensando em suas decisões na vida e com um súbito interesse pelos Smiths, Tonegawa acendeu o facho de luz azul para trazer de volta a memória positiva.

Em minutos, as cobaias novamente se interessaram pela água adocicada, tentaram escapar quando pegos pelo rabo e talvez até tenham começado a mandar currículos (ok, essa parte não foi mencionada). Conclusão: foram curados da depressão por uma memória positiva.

Tonegawa comentou as possibilidades: "os resultados são ainda preliminares, mas eles apontam que áreas do cérebro envolvidas em armazenar memórias podem um dia ser alvo para tratar transtornos mentais em humanos". Mas, como a gente bem avisou no começo da matéria, é preciso paciência. "Eu quero ser cuidadoso em não dar falsas expectativas aos pacientes. Estamos fazendo ciência muito básica".

Tonegawa é o mesmo cientista que apresentou alguns dias atrás um método para curar amnésia, usando a mesma técnica de optogenética. Esquecemos de mencionar na ocasião, mas ele é o Prêmio Nobel da Fisiologia ou Medicina de 1987, quando trabalhava com imunologia e tinha um cabelo bem mais incrível.