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15/06/2015 19:57 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

Presidente Dilma Rousseff ainda não decidiu se vai vetar ou não o fim do fator previdenciário

ANDRÉ DUSEK/ESTADÃO CONTEÚDO

A presidente Dilma Rousseff passa por mais um momento de indefinição no início deste segundo mandato. Há dois dias do prazo para decidir se veta o fim do fator previdenciário, incluído por congressistas em uma das medidas provisórias do ajuste fiscal, a mandatária ainda não sabe o que vai fazer.

O dilema de Dilma está entre não desagradar a base que a elegeu presidente e a preocupação com o rombo da previdência. Em coletiva de imprensa, concedida nesta segunda-feira (15), o ministro da Previdência, Carlos Gabas, explicou que a presidente está analisando cada número.

“A presidente ainda não tomou decisão. Ela tem até quarta-feira (17). Ela é muito cuidadosa, não só com o cenário político, mas com o cenário das contas da Previdência Social e com as contas da União como um todo. A presidente não tomará medidas sem conhecer absolutamente todos os números.”

Se a medida for sancionada, inicialmente, segundo Gabas, a conta da previdência poderia ter uma economia de R$ 12 bilhões, porque as pessoas passariam a postergar a aposentadoria. Após 2018, entretanto, quando essas pessoas passassem a pedir a aposentadoria a despesa voltaria a crescer. Até 2030, o aumento seria de R$ 135 bilhões e chegaria a R$ 3,2 trilhões até 2060.

O ministro conversou com jornalistas após encontro com as centrais sindicais no Palácio do Planalto. Na reunião, segundo Gabas, o governo esperava uma proposta dos sindicalistas, mas eles apenas pediram a sanção do texto.

Para Gabas, a proposta como está é “inviável”. "Temos dois dias, precisamos encontrar uma equação que não inviabilize a Previdência e não rompa diálogo com centrais sindicais.” Ainda de acordo ele, as pessoas não precisam correr para a aposentadoria. "Nós não mandaremos regras de retirada de direitos de ninguém.”

Para o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, a sanção da matéria representa uma reparação dos danos causados pelo fator na década de 1980. No Congresso, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), já disseram que estão dispostos a derrubar o veto, caso a presidente decida por ele.

Entenda a proposta de fim do fator previdenciário que está nas mãos da presidente:

- O texto cria a regra 85/95. Na prática, significa que a pessoa pode aposentar quando a idade somada a 30 anos de contribuição passa de 85 para as mulheres e de 95, para os homens.

- Exemplo disso seria uma mulher que tem 55 anos, mas já completou 30 anos de contribuição. Com isso, 55 + 30 = 85. Logo, ela estaria fora do fator previdenciário.

- Hoje, o fator, instituído em 1999, reduz o salário de quem se aposenta com menos de 65 anos, mesmo que a pessoa tenha contribuído por mais de 35 anos, no caso dos homens e de 30 anos, no caso das mulheres.