COMPORTAMENTO
14/06/2015 09:08 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Qual é o seu feminismo? Conheça as principais vertentes do movimento

Original Color Poster

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This series is based on a World War II Poster, We Can Do It! aka Rosie the Riveter, created by the Office for Office for Emergency Management and the War Production Board.


The source for this series is an image in the public domain from <a href="http://www.flickr.com/photos/usnationalarchives/3678696585/">The U.S. National Archives flickr photostream</a>.
DonkeyHotey/Flickr
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O que é feminismo? Essa é uma daquelas perguntas que não têm resposta definitiva.

"Hoje vivemos os 'feminismos'. Sempre temos que falar no plural, pois este é um movimento marcado por uma dinâmica horizontal", disse a pesquisadora Carolina Branco de Castro Ferreira, em entrevista ao Brasil Post.

O feminismo ganhou força no Brasil a partir dos anos 60, de braços dados com a luta pela redemocratização. "São mulheres letradas, de classe alta, que foram entrando em contato com feministas de fora do País", comentou Carolina, que é pós-doutoranda do núcleo de estudos de gênero Pagu, da Unicamp.

Hoje, meio século depois, ele se amplificou e se dividiu em vários movimentos. Seu sujeito já não se resume à mulher branca, de classe média, que luta por direitos civis: é também a mulher negra, a mulher mãe, a mulher da periferia, a mulher jovem, a mulher lésbica... Fundadora do site “Think Olga”, a jornalista Juliana de Faria diz acreditar que as redes sociais são muito importantes para essa remodelação. "O feminismo pode ser o que quer que as pessoas façam dele, desde que condizente com suas bases", disse ao jornal O Globo.

Carolina diz identificar três tendências mais populares no feminismo brasileiro hoje: o feminismo negro, o feminismo interseccional, e o feminismo radical. A estas, podemos acrescentar o feminismo liberal, que estamos "importando" dos Estados Unidos por meio da cultura pop.

É claro que há diversos matizes entre essas grandes vertentes. Mas compreendê-las pode ajudar a responder aquela pergunta do início do texto.

1. Feminismo negro

black feminist

Angela Davis, teórica feminista negra norte-americana

"O feminismo negro chega nos anos 80, concomitantemente com o fortalecimento do movimento negro no Brasil, e depois as mulheres vão fazendo seus próprios grupos", explica Carolina.

Ele surge da ideia de que a mulher negra, por sofrer de uma dupla opressão, não é representada por outros "feminismos".

"O profundo debate de raça e gênero é o que diferencia o feminismo negro de outros feminismos", explicam Nênis Vieira, Xan Ravelli, Larissa Santiago, Maria Rita Casagrande e Charô Nunes, do site BlogueirasNegras.org.

"Ele inclui pautas como, no caso brasileiro, o genocídio da juventude negra e como isso tem impactado as mulheres negras. Questões como a intolerância religiosa e a valorização das religiões de matriz africana são também parte do debate feminista negro que, acreditamos, não sejam pautas nem prioridades em outros feminismos".

Audre Lorde, Suely Carneiro e Angela Day são algumas das formuladoras desta corrente do feminismo.

2. Feminismo interseccional (pós-moderno)

fists

O feminismo interseccional é uma colcha de retalhos.

Ele procura conciliar as demandas de gênero com as de outras minorias, considerando classe social, raça, orientação sexual, deficiência física... São exemplos de feminismo interseccional o transfeminismo, o feminismo lésbico e o feminismo negro.

Mas como tanta diversidade consegue caminhar na mesma direção? "É uma tentativa de grupos de costurarem demandas, o que não é fácil. Algumas vezes, na prática, é difícil operar politicamente", comenta Carolina.

Entre suas principais autoras estão Avtar Brah, Anne McClinton e Kimberly Cranshaw.

Este também é o feminismo mais receptivo à participação dos homens no movimento. "As radicais, nos anos 70 e mesmo hoje são completamente contra, porque para elas homens são opressores por natureza", explica Carolina, que se considera uma feminista interseccional.

3. Feminismo radical

end patriarchy

O feminismo radical nasceu entre os anos 60 e 70, a partir das obras de Shulamith Firestone e Judith Brown.

Ao contrário do feminismo liberal, popular nos Estados Unidos, que vê o machismo como fruto de leis desiguais, ou o feminismo socialista, que vê no capitalismo a fonte da desigualdade entre gêneros, o feminismo radical acredita que a raiz da opressão feminina são aos papéis sociais inerentes aos gêneros.

A partir dos anos 2010, com o boom do feminismo na internet, a vertente radical foi retomada por garotas jovens, autodenominadas "radfem".

"São mulheres jovens, que reivindicam uma espécie de volta de um determinismo quase que biológico: mulheres são aquelas que têm vagina, que têm filhos, que têm ovário", comenta Carolina.

O feminismo radical se desdobra em muitas vertentes. Uma delas são as TERF, sigla para "Trans-Exclusionary Radical Feminists", ou seja, feministas radicais que excluem transexuais.

"As radfem recuperam esse argumento dos anos 60 e 70 e adaptam a questões atuais. Por exemplo: parte delas acha um absurdo que mulheres transsexuais se auto-identifiquem como feministas, porque elas nasceram biologicamente como homens", diz Carolina.

4. Feminismo liberal

mary wollstonecraft

Mary Wollstonecraft, feminista liberal, em retrato pintado por John Opie

O objetivo das feministas liberais é assegurar a igualdade entre homens e mulheres na sociedade por meio de reformas políticas e legais.

O feminismo liberal prega que as mulheres podem vencer a desigualdade das leis e dos costumes gradativamente, combatendo situações injustas pela via institucional e conquistando cada vez mais representatividade política e econômica por meio das ações individuais.

Por isso, a ascensão de mulheres a posições em instituições como o congresso, os meios de comunicação e as lideranças de empresas são vitais para esta visão do feminismo.

O discurso de Patricia Arquette sobre igualdade salarial no Oscar, o fenômeno Beyoncé e a campanha #HeForShe, de Emma Watson, que visa incorporar os homens à luta das mulheres por igualdade, são exemplos de feminismo liberal.

Mary Wollstonecraft, Betty Friedan, Gloria Steinem e o filósofo John Stuart Mill são alguns de seus formuladores.

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