COMPORTAMENTO
12/06/2015 19:21 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

'Flores para Elas': campanha para ajudar garotas vítimas de estupro coletivo no Piauí arrecada 3 vezes mais que o esperado

Amigos das quatro garotas que foram vítimas de estupro coletivo na cidade de Castelo do Piauí, região norte do estado do Piauí, no dia 27 de maio, estão empenhados a ajudar a amenizar a dor e o sofrimento delas e de suas famílias. Para isso, foi criado o grupo de apoio "Flores para Elas" e uma conta no site Vakinha para coletar doações. O dinheiro servirá para custear todos os tratamentos necessários para as vítimas e suas famílias, por exemplo, o apoio psicológico e moral. Até o momento, a campanha, que tinha como objetivo inicial arrecadar R$ 5 mil reais, já conquistou três vezes mais do que o valor esperado.

As doações estão abertas a qualquer pessoa e podem ser feitas até o dia 22 de junho. Os interessados devem entrar na página da campanha no site Vakinha, fazer o cadastro e seguir a orientação do site para efetuar a colaboração. O link está aqui. Até a noite desta sexta-feira (12), o valor total das doações está em R$ 20 mil reais.

Segundo a coordenadora da campanha "Flores para Elas", Aline Raquel Alves, em entrevista ao UOL, os valores arrecadados serão repassados para as famílias das meninas. "Estamos sempre em contato com as famílias, que são humildes e precisam de apoio psicológico, financeiro e moral", disse.

O grupo também criou uma página no Facebook, no Instagram para os doadores acompanharem o que está sendo feito e trabalhar na divulgação da campanha para atrair mais colaboradores.

Na terça-feira (2), um grupo de cerca de 30 pessoas compareceu ao Hospital de Urgência de Teresina (HUT) para prestar homenagens às vitimas. O grupo espalhou flores em volta pronto socorro. Familiares das meninas receberam os visitantes e agradeceram pela atenção.

“Esse foi um dos casos em que percebemos o quanto o ser humano pode ser brutal. Por conta de tudo, decidi trazer flores para as vítimas que estão aqui no HUT e depois vou para o Hospital São Marcos, onde está internada uma das meninas”, contou Lívia Soares, uma das idealizadoras do projeto, ao G1.

Entenda o caso

No dia 27 de maio quatro adolescentes entre 15 e 17 anos foram brutalmente estupradas, amarradas e espancadas na cidade de Castelo do Piauí, região norte do estado do Piauí. Uma das meninas não resistiu aos graves ferimentos e morreu no início da noite de domingo (7), após 10 dias internada. Ela sofreu esmagamento do lado direito da face, lesões pelo pescoço e traumatismo torácico. Das outras três vítimas, apenas uma permanece internada no Hospital de Urgência de Teresina (HUT) e seu estado de saúde é estável.

De acordo com as polícias civil e militar do estado, as garotas teriam saído para tirar fotos em um ponto turístico distante alguns quilômetros da zona urbana, quando foram rendidas por cinco pessoas. Quatro adolescentes suspeitos de participação no crime foram apreendidos horas após o crime. O quinto suspeito, Adão José de Sousa, 40 anos, foi preso dois dias depois pela Polícia Militar quando tentava entrar na cidade de Campo Maior, a 90 km de Teresina.

Atualmente os quatro menores estão recolhidos no Centro de Internação Provisória de Teresina (CEIP). Eles responderão pelos atos infracionais equivalentes aos crimes de tentativa de feminicídio, associação criminosa e, caso comprovada, pela prática de estupro.

A Organização das Nações Unidas Mulheres Brasil (ONU) emitiu na quarta-feira (10) uma nota se solidarizando com as quatro vítimas de estupro coletivo ocorrido na cidade de Castelo do Piauí. Assinado por Nadine Gasman, representante do órgão no Brasil, o texto denominou o caso como cruel e que chocou a todo o Brasil.

Segundo a ONU Mulheres, são cerca de 50 mil estupros e 5 mil assassinatos por ano. "Isso implica mudanças diárias e mobilizações, em todos os níveis, sobre a maneira com que mulheres e homens, meninas e meninos, se relacionam, adotando valores e práticas firmados na igualdade e livres de quaisquer formas de violência”, avalia a organização.

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