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12/06/2015 09:36 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

Após troca de provocações, líder do Revoltados Online diz ter sido agredido por petistas reunidos em hotel de Salvador (VÍDEO)

Montagem/Facebook e Estadão Conteúdo

O Congresso do Partido dos Trabalhadores (PT)começou nesta quinta-feira (11) em Salvador (BA) com vários desdobramentos, alguns deles bem quentes. A começar pelo hotel onde caciques do partido estão hospedados, onde petistas bateram boca com o empresário Marcelo Reis, líder do Revoltados Online, movimento que pede o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Os militantes do PT consideraram uma provocação Reis se hospedar no hotel e ficar circulando com uma camiseta escrita a palavra ‘Impeachment’. A mobilização foi grande com coros de “Lula, Lula” e “Partido, partido, dos trabalhadores”. Muitos dos presentes acharam que era o próprio ex-presidente chegando ao evento, tamanha a mobilização.

Reis ficou acuado, pressionado pela multidão contra uma divisória de vidro que separava uma área mais alta do lobby de uma mais baixa. Ele chegou a ser cutucado e empurrado e ouviu vaias à sua presença. A organização interveio com receio de que Reis caísse. Com ajuda de militantes que tentavam manter a calma, foi feito um escudo humano em torno de Reis. Ele conseguiu deixar o lobby sem se machucar.

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Nas suas redes sociais, o líder do Revoltados Online disse que foi sim agredido e que teve seus equipamentos quebrados pelos militantes do PT. Ele aproveitou para pedir ajuda financeira.

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Posted by Revoltados ON LINE on Quinta, 11 de junho de 2015

A grande concentração de centenas de delegados e militantes do PT no hotel se justificava naquele momento: eles aguardavam a liberação da área onde seria feita a cerimônia de abertura do Congresso. Na véspera da confusão, Reis já havia batido boca com o senador Paulo Rocha (PT-PA) e com o ex-deputado federal Paulo Ferreira (PT-RS). O militante anti-PT alegou ter sido provocado e respondeu aos dois: "Vem, que eu pego dez de vocês".

Dilma pede apoio e diz que “não mudou de lado”

A presidente Dilma Rousseff fez nesta quinta-feira um apelo para que o PT apoie o ajuste fiscal, buscou aproximação com a militância e disse precisar do partido para a aprovação das medidas. Ao participar da abertura do 5.º Congresso da legenda, Dilma afirmou que conta com a sigla para a defesa do governo, do pacote e da Petrobras e que não tem receio de se “submeter ao julgamento da história”.

“Nós não mudamos de lado, não alteramos o compromisso que temos com o Brasil, que o PT defende desde que chegamos ao governo. Somos um governo que tem a coragem de realizar ajustes para dar continuidade ao processo de desenvolvimento”, discursou Dilma. Ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de dez ministros, Dilma disse que apressara a volta da viagem a Bruxelas, onde participou da Cúpula União Europeia-Celac, para estar ali com o seu partido.

A presidente discursou por quase uma hora, sem admitir que a atual situação do País seja consequência de medidas equivocadas do governo. Sem mencionar escândalos que colocaram o PT na pior crise de imagem de seus 35 anos, Dilma repetiu o mote usado na campanha eleitoral de que incentivou o combate à corrupção.

“É nas horas mais difíceis, quando medidas realmente duras precisam ser tomadas, que sabemos com quem podemos contar. Eu vim para assegurar a cada militante que temos uma agenda forte, que vai garantir a retomada do crescimento e um processo de ascensão social”, destacou. “Estejam certos: direitos dos trabalhadores serão garantidos”.

#JuntosPorMaisMudanças Lula e Dilma no 5º Congresso do PT, em Salvador. Confira mais imagens em www.instagram.com/DilmaRousseff

Posted by Dilma Rousseff on Quinta, 11 de junho de 2015

O encontro foi marcado pela falta de entusiasmo da plateia. Muitos deixaram o auditório antes do fim dos discursos de Dilma e Lula. Ela cobrou a “leitura correta” da conjuntura e pediu a todos que defendam o governo. “Falem com orgulho da Petrobras, que está ganhando prêmio. Falem do pré-sal. Deixem claro que não vamos abrir mão do regime de partilha”, comentou.

Antes de Dilma falar, Lula pediu engajamento em defesa da sucessora. “Não se acomodem no governo, pelo amor de Deus. Não deixem o País parar de crescer e parar de incluir. É nossa obrigação ouvir e compreender esse recado, manter acesa a esperança”, afirmou.

Volta da CPMF e taxação das grandes fortunas

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, reforçou que o partido deve lutar por uma reforma tributária e defendeu as bandeiras da volta da CPMF e da tributação de fortunas e de lucros. “É necessário mudar o sistema tributário nacional, que é injusto, regressivo e concentrador. Mais de 50% dos impostos da carga nacional são impostos indiretos, que é um imposto injusto. É preciso reavivar a CPMF, que é um imposto limpo, não cumulativo e transparente”, defendeu o presidente.

Falcão falou ainda como medidas para estimular investimentos em infraestrutura e manter o nível de emprego “pelo menos mudar as alíquotas do imposto de renda, regulamentar o imposto de grandes fortunas, previsto em Constituição, estudar a possibilidade de não compatibilidade com os estados que já têm imposto sobre heranças, de instituir o imposto sobre grandes heranças, porque a transmissão da fortuna é o que perpetua a desigualdade”. Ele falou ainda de tributar as “grandes transações especulativas, os grandes lucros e dividendos”.

Falcão afirmou que só a vinda de Dilma já “facilita” a vida dos dirigentes petistas, ao ser questionado sobre o momento de afastamento e críticas do PT à presidente. “A presença dela já facilita muito, porque houve uma especulação muito grande de que ela estaria descontente ou temia alguma manifestação contra o ajuste e que, por isso, ela não viria”, afirmou.

#JuntosPorMaisMudanças#5CongressoDoPT

Posted by Partido dos Trabalhadores on Quinta, 11 de junho de 2015

“A primeira manifestação dela que eu ouvi dizer é que ela pediu que o PT faça nesse congresso uma boa reflexão, então nós estamos fazendo a lição de casa”, disse Falcão. O dirigente disse que a presidente vá falar sobre os projetos para o futuro, mencionando também dificuldades com o Congresso, mas esclarecendo não ser algo que prejudique a condução do governo.

E ressaltou a condição de “liberdade” do partido para defender sua pauta, citando como exemplo a lei da terceirização, que na Câmara passou liberando a terceirização para atividades fim. “(A presença da Dilma) cria um clima muito mais favorável pra gente continuar defendendo nosso governo e tendo também liberdade e autonomia para como partido assinalar pra ela o que nós não queremos ou o que queremos. A questão da terceirização tem sido objeto de deliberação e dizemos claramente que, se passar no Senado como saiu da Câmara, o partido quer que a presidenta vete”.

Ao ser questionado por jornalistas se o congresso poderia lançar ou apoiar a candidatura do ex-presidente Lula para 2018, Falcão deixou claro que não é o intuito do evento, mas disse que há uma “aspiração” do partido e da sociedade pelo retorno do ex-presidente. “Nunca esteve na pauta do congresso o lançamento da candidatura do Lula nem de ninguém. Nem sequer a eleição municipal do ano que vem está na pauta. O Lula não está pondo candidatura dele agora. Há uma aspiração no PT e na sociedade para que haja um retorno do Lula, mas isso não significa candidatura”, afirmou.

(Com Estadão Conteúdo)

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