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10/06/2015 19:03 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:25 -02

Zico oficializa candidatura para a Fifa e Del Nero cria Comitê de Ética na CBF

Estadão Conteúdo

O ex-jogador Zico afirmou oficialmente nesta quarta-feira (10) que será candidato à presidência da Fifa. Dentre a lista de possíveis presidenciáveis, o Príncipe Ali, ex-presidente da Federação Asiática de Futebol, e o ex-jogador e agente do futebol, David Ginola, também já anunciaram que serão candidatos ao cargo.

“Me sinto capacitado. É lógico que é necessário mudanças nas regras do jogo. A forma como existem as indicações é um prenúncio para a corrupção”, afirmou Zico em coletiva.

"Eu tenho 62 anos e me lembro de apenas dois presidentes da Fifa: o João Havelange e Joseph Blatter. Isso é inadmissível. Essa questão do continuísmo, isso afasta as pessoas de tentarem dar uma contribuição", acrescentou.

A Fifa deve realizar uma reunião extraordinária de seu comitê executivo em julho para discutir a data da eleição que irá definir o sucessor de Joseph Blatter, que renunciou na semana passada.

De acordo com a rede britânica BBC, as eleições podem ocorrer dia 16 de dezembro, mas a Fifa ainda não confirmou nada oficialmente. Fontes dentro da entidade indicaram à reportagem que essa seria uma "boa data". Para que o dia seja determinado, Blatter ainda precisa convocar o Comitê Executivo da Fifa, que deve se reunir em caráter de emergência já em julho, em Zurique.

Diante das prisões de dirigentes no dia 27 de maio e da pressão de patrocinadores, Blatter decidiu renunciar ao seu cargo quatro dias depois de vencer as eleições que o deram um quinto mandato. Mas, apesar dos apelos para que ele deixasse sua posição imediatamente, ele optou por um período de transição.

Em nenhum momento de seu discurso ele mencionou a palavra "renúncia" e fontes internas na Fifa garantem que ele vai usar os próximos seis meses para construir um sucessor. Oficialmente, sua prioridade é a de reformar a Fifa, tirando o poder das grandes confederações como a Uefa.

COPA de 2026

Em meio a crise, a Fifa irá adiar o início da disputa para definir que terá o direito de sediar a Copa do Mundo de 2026 devido às investigações de corrupção na entidade que comanda o futebol internacional, disse nesta quarta-feira seu secretário-geral, Jérôme Valcke.

"Devido à situação, eu acredito que não há sentido em começar qualquer processo de concorrência neste momento. Será adiado", disse Valcke em entrevista à imprensa, na cidade russa de Samara.

CBF

Em meio ao escândalo de corrupção que levou à prisão do ex-presidente da CBF, José Maria Marin, e colocou os contratos da entidade na mira da Justiça, Marco Polo Del Nero afirmou que está preparando um Código de Ética para a entidade.

O texto está sendo preparado por uma consultoria privada, a Ernst & Young, e fará parte do estatuto da CBF, com o objetivo de orientar o comportamento e a conduta dos seus dirigentes. "A estrutura de governança da CBF, risco e conformidades está passando por um processo de reengenharia", explicou o secretário-geral Walter Feldman.

Marin foi preso na Suíça no dia 27 de maio acusado de vários crimes, entre eles, receber propina nas negociações de contratos da Copa América e da Copa do Brasil, competição organizada pela CBF. Del Nero foi vice de Marin de 2012 a 2015 e admitiu na terça-feira, durante sabatina na Câmara dos Deputados, que participou da negociação de alguns contratos.

A CBF já é alvo de uma CPI que será instalada no Senado e tem se esforçado nos últimos dias para mostrar transparência, revisando todos os seus contratos. Segundo Feldman, no entanto, a ideia de instituir um Código de Ética no estatuto da entidade surgiu antes da prisão de Marin e o contrato com a Ernst & Young teria sido assinado no dia 22 de maio.

"No discurso de posse, o Marco Polo nos orientou a estudar todos os mecanismos de modernização da CBF. Não estamos na esteira dos acontecimentos. É claro que eles precisam ser respondidos, mas nós já tínhamos adotado a linha de implantar uma nova governança na CBF", justificou Feldman.

Na segunda-feira, durante reunião na sede da CBF com presidentes dos clubes da Série A do Campeonato Brasileiro, Del Nero anunciou o Código de Ética, entre outras mudanças no estatuto como mandato de quatro anos, com possibilidade de uma apenas reeleição. O objetivo do dirigente é que os clubes e federações sigam o exemplo da CBF. "Vamos sugerir que todos também tenham seus Códigos de Ética", disse Feldman.

(Com Estadão Conteúdo e Reuters)

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