NOTÍCIAS
09/06/2015 21:56 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:24 -02

Astrônomos encontram vidro em crateras de Marte

NASA/JPL-Caltech/JHUAPL

A partir de imagens registradas pela sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO), cientistas identificaram vidro nas crateras de Marte, substância que pode ser mais uma a trazer evidências de vida no solo do planeta.

De acordo com os astrônomos Kevin Cannon e Jack Mustard, da Universidade Brown, nos Estados Unidos, a substância foi formada por efeito de um impacto violento, como o de um asteroide.

Um estudo anterior sobre um choque semelhante na América do Sul encontrou moléculas orgânicas no vidro formado dessa forma. Está aí o atalho para concluir que esse pode ser um indício de que há ou houve vida no planeta vizinho.

A análise, publicada na última semana no periódico científico Geology, descreve como as informações trazidas pela sonda lançada em 2005 para detectar a presença de água em Marte revelou a substância, não esperada na busca dos pesquisadores.

Para achar o vidro, astrofísicos mediram o espectro da luz refletida na superfície de Marte, pois só assim identificam os minerais e tipos de rochas no local, remoto. No entanto, não sabiam ao certo o que seria o material que estava refletindo luz em cor verde. À época já havia a hipótese de que poderia ser vidro.

Para tirar a dúvida, Cannon misturou em laboratório vários tipos de poeiras, similares à composição das rochas de Marte, e as colocou em um forno para que formassem vidro.

Para checar como o objeto reflete luz, ele mediu o sinal espectral, medida técnica que aponta justamente esse tipo de comportamento de substâncias químicas.

Com um algoritmo, comparou os sinais do vidro em laboratório e os enviados pelo veículo da Nasa. Ambos são semelhantes, trazendo evidências da existência do material nas entranhas das crateras.

Vida no vidro

Um estudo, conduzido em 2014 pelo cientista Peter Schultz, também da Universidade Brown, foi a motivação fundamental para publicar a pesquisa.

Schultz encontrou, na Argentina, moléculas orgânicas em fragmentos de vidro, formadas há milhões de anos em consequência do impacto de um asteroide. Por isso, a presença da substância pode ser pista para rastrear vida na superfície de um planeta.