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07/06/2015 12:59 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:24 -02

Copas da Rússia e Catar podem mudar de sede, diz auditor da Fifa

KIRILL KUDRYAVTSEV via Getty Images
People watch as the facade of the historical Bolshoi Theatre is illuminated with the official emblem of the 2018 FIFA World Cup to be held in Russia in central Moscow on late October 28, 2014. World football boss Sepp Blatter on Tuesday opposed any boycott of the 2018 World Cup in Russia and backed the huge preparations undertaken by President Vladimir Putin's government for the mega event. AFP PHOTO/KIRILL KUDRYAVTSEV (Photo credit should read KIRILL KUDRYAVTSEV/AFP/Getty Images)

Pela primeira vez desde a eclosão da crise na Fifa, um alto funcionário da entidade admite que os Mundiais na Rússia e no Catar podem estar ameaçados. Domenico Scala, auditor da Fifa, indicou que a revisão das sedes de 2018 e 2022 pode ocorrer se ficar provado que houve suborno e compra de votos no processo de escolha das sedes.

Rússia e Catar eram as piores candidaturas, de acordo com os informes técnicos da Fifa. Mas quando a escolha ocorreu em dezembro de 2010, elas foram as vencedoras. Imediatamente depois de anunciado, uma série de escândalos começaram a surgir. O jornal O Estado de S. Paulo revelou com exclusividade que Ministério Público suíço suspeita inclusive de Ricardo Teixeira, que teria usado um jogo da seleção brasileira para justificar o pagamento de propinas. Dias depois da partida que ocorreu no Catar, o então presidente da CBF votou pelo Catar para a Copa de 2018.

"Se evidências surgirem que a concessão dos Mundiais apenas ocorreu por conta de propinas e compra de votos, então a escolha pode ser cancelada", disse Scala, em um e-mail à Agência Estado. Ele deixa claro, porém, que "essas evidências" ainda não foram apresentadas. Tanto o MP suíço quanto o FBI investigam o caso, interrogando os eleitores que participaram na época do voto e coletando material em dezenas de locais diferentes pelo mundo.

Scala ainda aponta que a decisão final não seria dele, mas do Comitê de Ética da Fifa. Há um ano, a entidade deu o caso por encerrado, insistindo que não existiam evidências suficientes para chegar a tal medida. Naquele momento, o investigador independente da Fifa, Michael Garcia, pediu demissão. Alegou que a Fifa havia abafado parte de suas descobertas num trabalho que custou US$ 4 milhões.

Tanto o Catar quanto a Rússia vêm atacando sugestões de que poderiam perder os Mundiais. Para os organizadores árabes, as críticas contra o país e as sugestões de compra de votos são "demonstrações de racismo". EUA e Austrália estavam entre os concorrentes para 2022.

Já o Kremlin passou a acusar o FBI de ter manipulado as prisões na Fifa para tentar derrubar a Copa em Moscou, por conta da crise entre Vladimir Putin e o Ocidente. Neste domingo, os líderes do G-7 devem debater a crise no futebol, inclusive no que se refere às escolhas de sedes.