COMPORTAMENTO
05/06/2015 09:53 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:19 -02

Como a poluição atmosférica nos deixa mais sensíveis ao pólen

Shutterstock / MANDY GODBEHEAR

POLUIÇÃO – Chove durante o belo mês de maio e você reclama? Você sabia que essas chuvas levam alívio a pelo menos 30% dos franceses? Quando não chove, eles sofrem o ataque dos terríveis grãos de pólen. Entre uma chuva e outra, porém, há períodos ensolarados; o nariz fica tampado, a garganta começa a coçar e os olhos lacrimejam.

A cada ano, a disseminação do pólen corresponde a vários picos de poluição. Isso realmente não facilita a vida das pessoas que sofrem de alergias. A poluição atmosférica de fato nos torna mais sensíveis à disseminação do pólen. E essa talvez seja uma das razões por que as alergias ao pólen parecem estar aumentando nos últimos 20 anos.

A poluição por ozônio exerce efeitos sobre nós, assim como sobre o pólen

Em março de 2014 a Agência Nacional de Segurança Sanitária, Alimentação, Meio Ambiente e Trabalho da França (Anses) estudou o impacto da poluição e do aquecimento climático sobre as alergias ao pólen. A Anses defende o estudo maior das interações entre pólen e poluição atmosférica (ozônio, dióxido de nitrogênio, partículas), pois até hoje foram feitas poucas pesquisas nesse sentido. Mesmo assim, sabemos que certas partículas e gases têm efeitos sobre nosso organismo; é o caso do ozônio, que “altera as mucosas respiratórias e aumenta sua permeabilidade. Isso gera uma reação alérgica às concentrações mais fracas de pólen”, explicou ao Le Monde Valérie Pernelet-Joly, responsável na Anses pela unidade de avaliação dos riscos ligados ao ar.

O ozônio e o dióxido de nitrogênio também exercem um impacto sobre o próprio pólen, segundo um estudo em curso realizado por uma equipe alemã, cujas conclusões preliminares foram apresentadas em março deste ano ao congresso anual da American Chemical Society, em Denver, Estados Unidos. “Nossa pesquisa ainda está em fase inicial, mas os primeiros resultados sugerem que aparecem modificações químicas nas proteínas alérgicas” e que isso modifica a reação das pessoas alérgicas”, disse Ulrich Poschl, pesquisador alemão que comanda o estudo. Resta a saber com precisão como o pólen são afetados pela poluição atmosférica. O trabalho dos cientistas ainda não rendeu uma resposta formal sobre esse ponto.

As mudanças climáticas também contribuem para tudo isso. Os efeitos que a alta da temperatura tem sobre o pólen também pode ser um agravante. A produção e emissão de pólen depende da duração do dia e de fatores climáticos, como a temperatura. O aquecimento climático também pode prolongar o período de polinização. Além disso, a alta da temperatura tem por efeito tornar alguns pólens mais alérgicos, diz a Anses, baseando-se em vários estudos científicos. Conclusão: a alergia ao pólen não será vencida no futuro próximo.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost França e traduzido do inglês.

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