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02/06/2015 11:20 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:19 -02

Senadores correm para indicar titulares da CPI do Futebol e mudar a redação da medida provisória do futebol no Brasil

Montagem/Agência Senado/Agência Brasil

O escândalo da Fifa será uma das principais pautas do Senado Federal esta semana. Nesta terça-feira (2), o tema será debatido em duas frentes: na articulação da CPI do Futebol e na comissão mista que analisa a medida provisória do Futebol.

Os senadores interessados em participar do colegiado que vai investigar as irregularidades na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) terão que disputar as sete vagas titulares e o número igual de suplentes na comissão. Os partidos têm um prazo de cinco dias para indicar os integrantes da CPI.

Pela proporcionalidade, o Bloco de Apoio ao Governo, formado pelo PDT, PT e PP, terá duas vagas, o Bloco da Maioria, do PMDB e PSD, também terá duas. A Oposição, do DEM e do PSDB, assim como o Bloco União e Força, do PTB, PSV, PR e PRB, terá uma vaga cada. Já o Bloco Socialismo e Democracia, que engloba o PCdoB, PPS, PSB e o Psol, terá uma vaga já ocupada pelo senador Romário (PSB-RJ), autor do requerimento de instalação do colegiado.

Paralelamente, o escândalo que envolve a CBF deverá impactar na redação da MP do Futebol — medida provisória 671. A confederação vinha trabalhando com afinco para chegar a uma redação final que lhe agradasse. Para o presidente da comissão que analisa a MP, senador Sérgio Petecão (PSD-AC), a confederação, que é contra o texto da MP, perdeu muito da sua capacidade de negociar as condições e termos do possível refinanciamento.

"A CBF fica muito enfraquecida, não tenha dúvida. Está sem moral para cobrar qualquer tipo de postura dos parlamentares e do governo. Essa é a oportunidade que temos para fazer mudanças no nosso futebol."

Também integrante da comissão mista, Romário enxerga a situação da mesma maneira: "A situação do presidente Marco Polo [Del Nero] é bem ruim. Ele deve estar bastante preocupado com tudo que tem acontecido e com as denúncias que vêm aparecendo".

Nova visão sobre a MP

O senador acredita que outros dirigentes e ex-dirigentes, tanto da CBF quanto de federações estaduais ou clubes, podem estar envolvidos no escândalo da “cartolagem”. Com isso, personagens com interesse direto no destino da MP do Futebol – e que têm sido unanimemente contra o texto – teriam que responder justamente pelo tipo de prática que o projeto visa combater.

Já o senador Humberto Costa (PT-PE), líder do PT e membro da comissão, não vê prejuízo à posição da CBF no processo de negociação. Para ele, a entidade manifestou preocupações razoáveis ao longo do processo de discussão, que não podem ser ignoradas. Ele, entretanto, acredita que o escândalo internacional que se ramifica para o Brasil deve exigir uma nova visão sobre a MP e, de forma mais ampla, sobre toda a gestão do futebol brasileiro.

"Naturalmente esse cenário termina fortalecendo as preocupações gerais da MP. Ela tenta modificar o funcionamento do futebol brasileiro e criar uma nova cultura. Tem pontos polêmicos, mas é possível construir acordos."

Em relação às deliberações da comissão, o presidente Sérgio Petecão também opina que é preciso valorizar a iniciativa do governo e levar em conta os eventos recentes.

"Estamos diante de um fato novo, real e concreto, e que tem tudo a ver com o momento pelo qual o futebol brasileiro está passando. O governo estendeu a mão e está cobrando medidas.”

Investigação

Na semana passada, uma operação policial em Zurique, na Suíça, prendeu sete dirigentes da Fifa, sob acusações de corrupção, extorsão e lavagem de dinheiro. Entre eles estava o brasileiro José Maria Marin, que deixou em abril a presidência da CBF e ocupava então uma das cinco vice-presidências da entidade. O atual presidente, Marco Polo del Nero, também é suspeito de participação no escândalo, devido a sua atuação na diretoria da CBF à época da assinatura de contratos que estão sob investigação.