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02/06/2015 09:32 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:19 -02

Caso Amarildo: Justiça do Rio revoga prisão de policiais militares acusados pela tortura e morte do pedreiro em 2013

Montagem/Estadão Conteúdo e Arquivo pessoal

A Justiça do Rio de Janeiro revogou nesta segunda-feira (1º) as prisões preventivas dos policiais militares Edson Santos, Luiz Felipe de Medeiros e Newland de Oliveira e Silva, acusados por corrupção ativa de testemunha no caso envolvendo a morte do pedreiroAmarildo de Souza, em 2013, na favela da Rocinha. O corpo jamais foi localizado.

Na sua decisão, a juíza da Auditoria de Justiça Militar Ana Paula Monte Figueiredo Pena Barros considerou que “não é mais possível afirmar que a liberdade dos réus traria riscos à ordem pública”, uma vez que as testemunhas de acusação já foram ouvidas no processo. Entretanto, os PMs ainda respondem por tortura e ocultação do cadáver no processo. Por isso, segundo o jornal Extra, seguirão detidos – o Tribunal de Justiça (TJ-RJ) ainda não se pronunciou.

Os três PMs teriam tentado atrapalhar as investigações da Polícia Civil, pagando R$ 850 e R$ 500 para que duas testemunhas acusassem o traficante Thiago da Silva Neris, conhecido como Catatau, pela morte do pedreiro. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, em janeiro, o major Edson Santos, ex-comandante da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha, reforçou o envolvimento do tráfico no desaparecimento e morte de Amarildo.

Uma das testemunhas, Lucia Helena, está desparecida desde agosto do ano passado, de acordo com o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ). Ela disse aos promotores, antes do seu desaparecimento, que foi coagida por policiais militares para mentir e acusar traficantes pelo crime contra o pedreiro.

Conforme diz a denúncia do MP-RJ, Amarildo foi torturado e morto por PMs em julho de 2013. Vinte e cinco policiais são acusados de envolvimento no desaparecimento do pedreiro, todos respondendo pelos crimes de tortura, ocultação de cadáver, fraude processual e formação de quadrilha.

Os policiais dizem que Amarildo passou por uma averiguação e deixou a UPP da Rocinha sozinho. Já a Promotoria diz ter provas de que o pedreiro foi torturado e morto, porém a morte presumida foi declarada após seis meses, sem que o corpo dele tenha sido encontrado.

De acordo com o jornal O Dia, o depoimento das testemunhas de defesa dos policiais está marcado para o dia 3 de julho, às 13h.

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