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01/06/2015 19:52 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:19 -02

Homofobia em Blumenau: Projeto fotográfico denuncia a dor do preconceito no interior do País (FOTOS)

A vida de gays em uma cidade do interior do Brasil pode ser uma experiência de repressão. Repressão do ser, do sentir, do relacionar-se.

Em um lugar distante da efervescência cultural e da diversidade de hábitos de um centro urbano, pessoas diferentes podem não ser aceitas — seja pela força da tradição ou pelo apego a preconceitos.

Em Blumenau, a 146 quilômetros de Florianópolis, a comunidade LGBT enfrenta manifestações intensas de discriminação de parcela significativa da população.

A resposta mais sistemática a abusos contra homossexuais ganhou força neste ano nessa cidade no nordeste de Santa Catarina. O ensaio fotográfico "Eu te ouvi dizer" é um exemplo: um brado artístico organizado pelo coletivo Liberdade LGBT para escancarar preconceitos e problematizar a homofobia em Blumenau.

A proposta é mostrar frases ouvidas no dia a dia por gays e confrontar aqueles que ferem com palavras a autoestima alheia.

Em entrevista ao Brasil Post, a responsável pelo projeto, Sabrina Marthendal, descreveu a realidade de LGBT em Blumenau:

"Ser gay aqui na nossa cidade é difícil, sim. É uma cidade pequena. Ser homossexual em cidades do interior pode encontrar mais resistência. E a nossa comunidade, em específico, é orgulhosa de uma colonização alemã e conservadora. Aqui tudo que é diferente assusta. Em cidades grandes, por mais que haja preconceito também, a comunidade LGBT tem mais pontos de encontro, mais lugares para discutir, conversar, estar 'em casa' com os que aceitam e entendem."

A atriz e fotógrafa de 28 anos contou o processo de criação do ensaio, integrado por LGBT e simpatizantes como ela, que são descontentes com o tratamento dado às diferenças:

"Foram para as placas justamente as frases que ouvimos com muita frequência. Com uma frequência assustadora. Cada pessoa a ser fotografada escrevia a frase que quisesse, super livre. Essas frases estão tatuadas na nossa memória, na nossa pele. E é importante que ganhem visibilidade. É importante que gerem polêmica, que gerem reflexão. Acho que expor as frases dessa forma traz à tona questionamentos como 'onde fica a linha que separa o respeito do preconceito?' e isso me interessa muito."

Galeria de Fotos O que os gays de Blumenau já ouviram Veja Fotos

Como reconhecer que seu discurso é homofóbico?

A fotógrafa Sabrina Marthendal acredita que muita gente não consegue reconhecer que palavras ou expressões são homofóbicas. E recorda a repercussão da frase "Não tenho preconceito, desde que não se beijem na minha frente".

"Na nossa opinião, é uma frase homofóbica, sim, porque agride moralmente o homossexual. Porque afirma 'eu não vou te agredir, vou te tratar com carinho e educação, mas o seu beijo não é digno, não é correto, não é aceitável aos meus olhos'. Como isso não seria preconceituoso? Essa frase pressupõe um pré-conceito com relação ao beijo homoafetivo, que é tão digno e tão bonito quanto qualquer outro beijo."

Atenção, Blumenau!

Moradores de Blumenau que querem engrossar o coro contra o preconceito têm nova oportunidade.

Sabrina Marthendal vai produzir mais uma série de fotos do projeto "Eu te ouvi dizer".

O novo ensaio será na nesta quarta-feira (3) na companhia Carona de Teatro, no Teatro Carlos Gomes, no centro da cidade.

Os cliques começam às 20h.

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