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01/06/2015 11:34 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:19 -02

Deputado do PR e pastor da Universal, Edson Praczyk é denunciado à Justiça por trocar ‘benção' de documentos por funcionárias fantasmas

Montagem/Facebook e YouTube

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) denunciou o deputado estadual Pastor Edson Praczyk (PRB) à Justiça por uma fraude de R$ 34 mil aos cofres públicos. De acordo com os promotores, o parlamentar teria mantido pelo menos uma funcionária fantasma em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) entre 2001 e 2005. Há a suspeita de que outros servidores fantasmas tenham sido empregados por Praczyk.

O caso foi denunciado na semana passada pela RPC-TV, afiliada da Rede Globo no Paraná. Segundo a reportagem da emissora, o assessor e chefe de gabinete do deputado, Luiz Alberto de Lima, pediu os documentos da dona de casa Rosimere de Amorim para uma ‘noite de bençãos’. Pouco tempo depois, ela foi nomeada mais de uma vez por Praczyk e jamais apareceu para trabalhar na Alep.

Base da denúncia do MP-PR, a investigação da Polícia Federal apurou que, na primeira nomeação em 2001, a funcionária fantasma recebeu 11 salários de R$ 1,2 mil. Exonerada em 2002, ela voltou a ser nomeada em 2004, com ganhos de R$ 2,8 mil. Cinco meses depois, Rosimere foi exonerada. Uma terceira nomeação veio em 2005, agora com salários acima de R$ 2,8 mil. A dona de casa disse nunca ter ido trabalhar e desconhecer o deputado.

Conforme diz a denúncia do MP-PR, Praczyk e Lima teriam dividido entre si pouco mais de R$ 34 mil dos salários desviados. Os promotores ainda investigam o parlamentar pela contratação de outras funcionárias fantasmas, as quais seriam esposas de outros pastores da Igreja Universal do Reino de Deus, todas comissionadas e em cargos de confiança. Essas contas fantasmas seriam movimentadas livremente pela servidora Micheli Borges da Silva, que então faria os repasses ao deputado.

Em sua defesa, Praczyk atacou a imprensa (chamou de “narigudo” o jornalista da RPC-TV responsável pela denúncia) e negou qualquer irregularidade. Afirmou que Micheli nunca deixou de ir trabalhar (na verdade, a denúncia do MP-PR a cita apenas como ‘operadora’ dos repasses desviados) e que tudo se trata de uma campanha para denegrir a sua imagem.

“Não existe e nunca existiram funcionários fantasmas em meu gabinete. Existiram esposas de pastores da minha igreja que trabalharam no meu gabinete, mas todos eles prestaram o expediente normalmente. Em nenhum momento funcionário algum controlou as contas de outros funcionários. O que aconteceu foi um caso isolado, para que uma funcionária, a pedido de outra funcionária, a auxiliasse na solicitação de um cartão de crédito. Apenas isso”, comentou o parlamentar.

O presidente da Alep, deputado Ademar Traiano (PSDB) já informou que espera a saída de Praczyk da presidência do Conselho de Ética da Casa. Foi graças ao parlamentar do PRB que o ex-presidente da Assembleia paranaense, deputado Nelson Justus (DEM), escapou de um processo de cassação por contratações irregulares e desvios de salários de servidores, em 2008.

Quanto aos ataques de Praczyk aos jornalistas, o Sindicato de Jornalistas Profissionais do Paraná (Sindijor-PR) divulgou nota de repúdio e agora estuda entrar na Justiça contra o deputado.

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