NOTÍCIAS
29/05/2015 10:42 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:13 -02

Ameaça de bomba causa apreensão horas antes de votação na Fifa; Del Nero chega ao Brasil para defender CBF

Montagem/Estadão Conteúdo

Uma ameaça de bomba fez a Fifa esvaziar rapidamente o prédio onde será realizada nesta sexta-feira (29), na Suíça, a eleição para presidente da entidade. O episódio ocorreu horas antes da cerimônia oficial. A informação foi confirmada pela polícia de Zurique. Todos os delegados e cartolas da entidade tiveram de deixar o local apressadamente, assim como os jornalistas, embora o espaço reservado para os repórteres trabalharem continuou em atividade.

A cerimônia do pleito em que o suíço Joseph Blatter deverá ser reeleito para o seu quinto mandato estava prevista para iniciar às 10 horas (horário de Brasília). A polícia fez uma varredura instantânea no grande salão e não encontrou nada, nem vestígios da bomba. Mas não quis correr o risco, sobretudo depois das denúncias e prisões de seus membros após investigação detalhada do FBI.

A polícia trabalha com a informação de que a ameaça de bomba seria um trote. Do lado de fora da sede, manifestantes faziam reivindicações. Tão logo recebeu sinal verde da polícia, os dirigentes foram convidados a retomar seus lugares. Apesar da ameaça de bomba, a Fifa mantém a programação de atividades para o principal dia de seu Congresso, que vai escolher o presidente para mais quatro anos de comando à frente da entidade que controla o futebol mundial.

A pior crise da história da Fifa coincide com seu momento de maior exuberância financeira. Durante o Congresso da entidade, a Fifa apresentou suas contas e apontou uma receita recorde de US$ 5,7 bilhões, graças ao sucesso comercial da Copa do Mundo no Brasil. No total, os lucros somaram US$ 338 milhões.

Entre 2011 e 2014, as receitas com contratos de TV aumentaram em 43%, contra uma elevação de marketing de 29%. Em média, a receita da entidade aumentou em 37%, uma taxa inédita. Hoje, a Fifa está sentada em um fundo de reserva de US$ 1,5 bilhão. "A Copa do Mundo foi muito boa para nossos parceiros comerciais", comemorou o vice-presidente da Fifa, Issa Hayatou diante das 209 federações filiadas. Em apenas dez anos, as reservas da entidade aumentaram em cinco vezes.

“Vou para a CBF para esclarecer tudo”

O presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, está no Brasil. O dirigente desembarcou nesta sexta-feira, no aeroporto do Galeão, no Rio, às 4h40, em um voo vindo de Frankfurt, na Alemanha. Ele deixou o Congresso da Fifa, realizado em Zurique, na quinta, em meio ao maior escândalo de corrupção do futebol. Del Nero foi breve nas declarações ao desembarcar.

"Vou para casa e tomar banho. Depois, vou para a CBF para esclarecer tudo", afirmou. O nome do presidente da CBF não é citado nominalmente no documento divulgado pela Justiça norte-americana na quarta-feira, mas a reportagem apurou que Del Nero faz parte das investigações de fraude e corrupção, embora não tenha sido convocado a depôr e não exista um pedido de prisão contra ele.

O dirigente deve ser o principal alvo da CPI no Senado para investigar crimes de corrupção na CBF. O senador Romário (PSB-RJ) é o autor do requerimento e já avisou que Del Nero será o primeiro convocado. "Assim como o Marin, comprovadamente um ladrão, ainda temos que tirar outro câncer do futebol, o atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero", disse.

O Ministério da Justiça também informou na quinta-feira que será aberto um inquérito pela Polícia Federal para investigar se foi praticado crime no Brasil relacionado ao escândalo da Fifa. A investigação, que irá correr na Superintendência da Polícia Federal no Rio, vai apurar possíveis práticas de evasão de divisas e de lavagem de dinheiro.

A CBF, inclusive, se antecipou e decidiu não esperar pela visita dos agentes da Polícia Federal (PF) e optou por entregar "de forma espontânea" ao Ministério Público Federal (MPF) os contratos firmados nos últimos anos. A informação foi divulgada em nota pela entidade no início da noite de quinta-feira.

Del Nero vai se reunir com os outros dirigentes da CBF nesta sexta-feira e, após o encontro, deve conceder uma entrevista coletiva.

CPI do Futebol agora pode ser mista

O deputado federal e ex-bicampeão mundial de judô João Derly (PCdoB-RS) protocolou na Câmara dos Deputados, nesta quinta-feira, em Brasília, o pedido de criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Máfia do Futebol. O parlamentar de primeiro mandato obteve a assinatura de 200 colegas, superando o número mínimo de 171 apoios para criar uma CPI.

Na justificativa do requerimento, Derly argumentou que o esquema de corrupção deflagrado na Fifa pelo FBI tem desdobramentos no Brasil passíveis de apuração pelo Congresso. Ele ressaltou que a operação da Polícia Federal dos Estados Unidos prendeu o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, por suspeita de receber subornos para vender direitos de transmissão de jogos.

"Há, ainda, suspeitas de que o suborno envolva contratos assinados para a realização das Copas das Confederações Fifa 2013 e da Copa do Mundo Fifa 2014", registrou João Derly, em referência aos eventos realizados no Brasil.

Para avançar na Câmara, contudo, a CPI da Máfia do Futebol terá que esperar. Isto porque a Câmara pode ter somente cinco CPIs funcionando ao mesmo tempo e, no momento, existem quatro comissões em andamento. Embora haja uma vaga, que só pode ser ocupada com aval do presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a apreciação dos pedidos de CPI ocorre de acordo com a ordem de chegada. Há 10 outros requerimentos na fila de espera - entre eles, os pedidos para criar comissões para investigar o BNDES e o setor elétrico.

Na quarta-feira, Cunha já havia dito que era possível que a Câmara tivesse uma CPI sobre o tema. Como já há uma no Senado, há uma possibilidade da integração das duas investigações, formando uma comissão parlamentar mista, quando ela une deputados federais e senadores nos trabalhos.

LEIA TAMBÉM

- Romário emplaca CPI do Futebol e detona ex-presidente da CBF: 'ladrão'

- Ex-presidente da CBF José Maria Marin e outros seis dirigentes da Fifa são presos por corrupção em operação na Suíça

- Antes de prisão de Marin, atual presidente da CBF Marco Polo Del Nero chamou gestão do ex-mandatário de ‘exemplar'

- "Vejo com muita satisfação", diz filho de Vladimir Herzog sobre prisão de José Maria Marin por corrupção na Fifa

- Corrupção na Fifa: Alô Brasil, é hora de revisitar a CPI da Nike