NOTÍCIAS
26/05/2015 16:01 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Por dentro dos métodos de controle mental que o Estado Islâmico utiliza para recrutar adolescentes

Reprodução/VICE

Foi noticiado que pelo menos 1.600 pessoas do Reino Unido deixaram o país para se unir ao Estado Islâmico. Alguns são adolescentes e, entre os fugitivos mais famosos – como o trio da Bethnal Green Academy —, há também meninas, arrancadas de famílias felizes e equilibradas. Então o que leva esses recrutas a quererem deixar tudo isso para trás para se jogar em um mundo de conflito e violência?

Geralmente, a extrema dedicação ao califado parece repentina e surpreende amigos e familiares. No entanto, muitas vezes é atribuível a uma campanha de persuasão pela internet, mais longa do que se acredita a princípio. A lealdade tem menos a ver com uma adesão à vertente radical e apocalíptica da religião do Estado Islâmico e mais com técnicas avançadas de convencimento, parecidas com aquelas vistas em cultos como Children of God (os "Meninos de Deus"), Heaven's Gate e People's Temple (o Templo dos Povos).

Para entender isso melhor, conversei com Steven Hassan, ex-membro da Igreja da Unificação dos Estados Unidos e autor de Combating Cult Mind Control (Combatendo o Controle Mental dos Cultos, em tradução livre), sobre os métodos que o Estado Islâmico utiliza para conquistar o controle absoluto sobre alguns jovens muçulmanos da Grã-Bretanha.

VICE: Você pode começar explicando a diferença entre lavagem cerebral e controle mental?

Steven Hassan:O termo "lavagem cerebral" foi cunhado nos anos 50 do século 20 e dizia respeito à doutrinação comunista. Patty Hearst, por exemplo, foi sequestrada em seu apartamento, trancada em um armário, estuprada e torturada. Ela se tornou membro do Exército Simbionês de Libertação. O caso dela é o que chamo de lavagem cerebral, no sentido de que, inicialmente, ela jamais teria ido atrás dessas pessoas – foi levada à força e violentada de forma cruel.

Tá.

O controle mental é muito mais sutil. É mais provável que você seja seduzido pelo recrutador – se não sexualmente, pelo emocional. Você o considera seu amigo ou mentor, ou alguém que admira. Então tem muito mais uma sensação do que chamo de ilusão da escolha, ou ilusão do controle. E, nesse sentido, a doutrinação é mais sutil e profunda, porque há mais uma sensação de posse compartilhada das novas crenças.

O que acontece quando falamos sobre o tipo de influência que o Estado Islâmico lança mão pela internet?

O ISIS inicialmente faz uma campanha sutil e sofisticada, o que chamamos de "período de sedução da persuasão", em que acontece um bombardeio de amor e adulação, do tipo "o que podemos fazer por você?". Mas assim que conseguem cativar [um recruta], ameaçam sua vida, ameaçam matar a família, e se você sair, "te matamos, vamos atrás da sua família e matamos toda ela também".

[Continue lendo aqui]

LEIA MAIS:

- O ISIS está longe de ser uma potência cibernética

- As mulheres de Uganda que não conseguem usar banheiros sem temer doenças e estupro