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26/05/2015 10:03 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Mulheres e crianças são cada vez mais usadas em ataques suicidas na Nigéria, afirma Unicef

STRINGER via Getty Images
A girl rescued from Boko Haram's hides her face at the Malkohi camp for internally displaced persons outside Yola, in northeast Nigeria, on Monday, May 25, 2015. The child was among 31 people mostly young children under the age of 12 who was rescued from Boko Haram's Sambisa Forest stronghold during military operations last week. Nigeria's military has freed hundreds of kidnapped women and children from Boko Haram in recent weeks. AFP PHOTO/STRINGER (Photo credit should read STRINGER/AFP/Getty Images)

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) revelou nesta terça-feira (26) que mais mulheres e crianças foram usadas em atentados suicidas à bomba no Nordeste da Nigérianos primeiros cinco meses deste ano do que em 2014.

Em comunicado, o Unicef declara que, em 2014, registaram-se 26 ataques suicidas, em comparação com 27 ataques até maio de 2015, sendo que em pelo menos 75% desses casos terão sido usadas mulheres e crianças.

"[As vítimas] têm sido usadas para detonar bombas ou cintos de explosivos em locais muito frequentados, tais como mercados e estações de ônibus", destaca a agência das Nações Unidas.

O comunicado mostra ainda que, desde julho de 2014, foram registados nove incidentes suicidas envolvendo crianças com idades aproximadas entre 7 anos e 17 anos, todas elas do sexo feminino.

“As crianças não estão instigando esses ataques suicidas; estão sendo usadas intencionalmente por adultos da maneira mais horrível”, afirmou Jean Gough, representante do Unicef na Nigéria.

“São antes de mais vítimas, não são autores”, reforçou, ao acrescentar que "muitas crianças foram separadas das famílias, quando fugiram da violência, sem ter alguém para tomar conta delas”.

Jean Gough destacou que, sem proteção familiar, as crianças "estão mais expostas ao risco de exploração por parte de adultos, o que pode levar ao envolvimento em atividades criminosas ou ligadas a grupos armados”.

O Unicef calcula que cerca de 743 mil crianças tenham sido obrigadas a fugir das suas casas devido ao conflito, estimando que o número das que são não acompanhadas e separadas das respetivas famílias possa chegar a 10 mil.

A agência da ONU receia ainda que "a utilização crescente de crianças como bombistas suicidas" faça com elas "passem a ser vistas como potenciais ameaças, o que poria todas as crianças associadas a grupos armados em risco de retaliação e impediria a sua reabilitação e reintegração na comunidade".

No comunicado, divulgado na mesma semana em que está agendada a tomada de posse do novo presidente eleito da Nigéria, Muhammadu Buhari, o Unicef apela às autoridades nigerianas "para que coloquem a segurança e o bem-estar das crianças, em especial as que foram afetadas pela crise no Nordeste do país, no centro da agenda política".

O Nordeste da Nigéria tem sido afetado pela insurgência do grupo terrorista Boko Haram, responsável por numerosos ataques violentos contra povoações e civis daquela região e nos países vizinhos.