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25/05/2015 22:39 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Como o ensino técnico mudou a vida destes brasileiros

O Brasil Post conta a trajetória de quatro brasileiros para quem o curso técnico-profissionalizante foi um divisor de águas. Reunimos histórias com os mais diversos protagonistas: empreendedores, com rede própria ou de franquias já conhecidas; um funcionário antigo de multinacional; e um estudante premiado em concurso internacional. Todos sobressaíram pela qualificação técnica que buscaram.

‘Como técnico, ganho igual a um gerente’

Luis Antonio Pedroso

Técnico em manutenção de estamparia da empresa Rexam

Aos 55 anos, o paulistano Luis Antonio Pedroso se sente realizado com a vida que leva. Ainda jovem, fez um curso profissionalizante no Senai de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, e logo ingressou no mercado de trabalho como técnico em Mecânica. Mas foi na Rexam, uma das maiores fabricantes mundiais de embalagens, que o técnico construiu sua carreira.

“Em 1996 entrei como técnico em Mecânica e até hoje estou lá”, conta Pedroso, orgulhoso de seus quase 20 anos da empresa situada em Extrema, no extremo sul de Minas Gerais. “Sempre me vi fazendo isso.”

Pedroso conta que decidiu seguir a carreira técnica por influência de conhecidos. “Via pessoas que tinham ensino técnico já com emprego, felizes com seus salários. O que me chamava atenção era a procura das empresas pela mão de obra especializada, então decidi fazer o curso e ver no que dava.”

Segundo ele, alguns amigos que optaram por uma faculdade não tiveram o mesmo êxito. “Eles acharam que sairiam empregados, mas não foi bem assim, houve uma certa decepção. Quem tem formação técnica tem mais facilidade de conseguir um emprego, eu acho.”

Questionado sobre a remuneração de um técnico, ele diz que não tem do que reclamar. “Ganho um salário bom e gosto do que eu faço. Vejo que meu trabalho agrega na empresa”. No mesmo cargo há quase duas décadas, ele diz que ganha o mesmo salário de um gerente da empresa.

Um campeão de eletrônica industrial das Américas

Mauri Saraiva

Aluno da unidade do Senai Maracanaú e técnico em Eletrônica na TBM

Aos 21 anos, o cearense Mauri coleciona diplomas. Após fazer dois cursos ténicos, um em manutenção de eletroeletrônico e outro de telecomunicação, ele decidiu fazer o curso de Eletrotécnico no Senai de Maracanaú (CE), na região metropolitana de Fortaleza.

A sede por aprendizado fez o jovem deixar o Ceará rumo à Olimpíada de Conhecimento de 2012, em São Paulo, para disputar com outros jovens o título de melhor desempenho na modalidade Eletrônica Industrial.

Ele conseguiu medalha de bronze e, dois anos depois, foi até Bogotá, na Colômbia, para a competição WorldSkills, na qual conseguiu o primeiro lugar na categoria Eletrônica. A competição reuniu 186 jovens, e venciam aqueles que conseguiam resolver o desafio dentro do menor prazo com o menor número de falhas.

“Foram quatro dias de provas práticas e saí campeão na minha modalidade. Pra mim, foi uma surpresa, né?”, contou o estudante técnico, que em apenas um mês vai concluir a terceira formação técnica. pelo Senai de Maracanaú (CE), na região metropolitana de Fortaleza. Atualmente, ele trabalha em uma empresa do ramo têxtil, a TBM, como técnico em Eletrônica.

Mauri pensa em ser engenheiro e acredita que a formação técnica será uma qualificação a mais perante o mercado. “Não quero parar de estudar. Depois de me formar, vou prestar vestibular para Engenharia Eletrônica. Gosto do que faço e quero sempre crescer na área”, planeja Mauri.

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O técnico que comanda rede de franquias

Rogério de Carvalho

Co-fundador e diretor da Homelete, rede especializada em omeletes gourmet

Desde muito jovem, o paulista Rogério de Carvalho (na foto acima, à esquerda, ao lado do sócio Anderson Romero) já sabia que sua carreira não seria regida por chefes e empresas. Aspirante a empreendedor, Rogério também optou por uma formação técnica – diferentemente de muitos colegas da área que buscaram na graduação o conhecimento para gerir seu próprio negócio.

“O curso técnico me trouxe uma visão mais prática e técnica sobre como é comandar uma empresa”, conta Rogério. Ele fez um curso técnico de Administração aos 23 anos. Hoje, aos 42, é co-fundador e diretor da Homelete – rede de franquias especializada em omeletes recheadas, que fica na capital paulista.

Ainda enquanto cursava o técnico, Rogério era contador júnior de uma empresa, mas acabou sendo demitido repentinamente. “Foi nessa hora que decidi não trabalhar mais pra ninguém”. Desde então, Rogério passou por diferentes atividades, com negócios que iam de estampas para camisetas até um bar. Dois anos atrás, abriu junto ao sócio uma empresa de omeletes e o negócio prosperou. “Antes disso, fiz um curso de gastronomia na Escola de Culinária e Gastronomia Nicolau Rosa para criar o menu.”

Hoje com quatro lojas, o empresário tem planos ambiciosos para um ano de crise na economia e ajuste fiscal. “A meta é chegar a dez lojas ainda neste ano.”

Do curso técnico à gestão do próprio negócio

Felipe Rezende

Franqueado da Sr. Computador há um ano e meio

“O curso técnico foi o pontapé para estar como estou hoje”, conta Felipe Rezende, atual franqueado da rede de manutenções e serviços em Tecnologia da Informação Sr. Computador, em São José do Rio Preto (SP).

O empresário sempre gostou de tecnologia e viu na área sua vocação profissional. Aos 23 anos, decidiu se matricular no curso de administrador de redes CCNA (Cisco Certified Network Administrator) no Senac, enquanto seus primos, que também se interessavam pela área, prestaram vestibular para Ciência da Computação.

“Vi que meu curso era muito mais especializado. Enquanto estudava, trabalhava numa empresa e logo migrei da área de vendas para a área de TI [Tecnologia da Informação]. Enquanto isso, meus primos não conseguiam colocação no mercado”, conta. “O ensino técnico, como tem menor duração, ajuda o profissional a entrar no mercado mais rápido. Para alguns cargos da indústria, que são bem específicos, eles são essenciais.”

Antes de empreender, Felipe trabalhou como técnico em outra loja da mesma rede. “Trabalhei na parte de laboratório, depois no administrativo e até no financeiro. Já sabia bastante sobre a empresa quando decidi abrir a minha franquia.”

Na mesma época em que abriu o negócio, Felipe chegou a começar faculdade de Administração, mas acabou abandonando em pouco tempo. “Vi que não era isso que eu precisava. Aprendi a administrar uma empresa no dia a dia e, como tinha formação técnica em tecnologia, já entendia bem o negócio.”

Um ano e meio depois, já com as contas da empresa estabilizadas, o paulista mira o próximo desafio: “Conseguimos bons contratos com grandes empresas. Se continuar assim, logo poderei administrar outra franquia da rede.”

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