NOTÍCIAS
24/05/2015 18:17 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Cruz Vermelha Internacional quer aumentar número de brasileiros em seu quadro de funcionários

ICRC/BORIS HEGER

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) está à procura de profissionais brasileiros.

Segundo o diretor global de recursos humanos do CICV, Gherardo Pontrandolfi, há "muitas razões" para o comitê aumentar a contratação de candidatos naturais do Brasil.

"Nós temos uma excelente experiência com os colegas brasileiros, não apenas em termos de qualificação, que é bastante elevada", diz Pontrandolfi. Atualmente 14 brasileiros trabalham em contratos internacionais na Cruz Vermelha, em meio a uma equipe composta por 2.600 delegados que atuam no âmbito internacional e na sede do comitê, em Genebra.

"Além do que nós fazemos - o trabalho humanitário - há também o ponto de como somos percebidos e recebidos. E, nesse caso, a nacionalidade desempenha um papel importante. E os brasileiros têm uma grande vantagem por virem de um país pacífico, sem envolvimento em nenhum conflito armado internacional".

Atualmente, o CICV atua em mais de 80 países do mundo, incluindo o Brasil e 28 países da África.

A organização, que é neutra e independente, está presente em locais que enfrentam conflitos armados ou que vivem situações de violência, ainda que não seja em um nível de guerra. Pontrandolfi explica que, atualmente há uma proliferação de atores nos conflitos internacionais o que torna, muitas vezes, o trabalho humanitário arriscado. "Os limites vão ficando mais turvos sobre quem está lutando contra quem."

"Em algumas áreas é perigoso desenvolver o trabalho humanitário, porque não necessariamente nós somos conhecidos e porque há quem lute contra a ajuda humanitária por uma questão de princípios. Isso não é algo positivo, ainda mais se olharmos para o futuro, mas não significa que tenhamos que desistir. Essa é exatamente a razão pela qual estamos trabalhando."

A segurança dos seus delegados é uma das maiores preocupações da Cruz Vermelha, segundo Pontrandolfi. Apesar do perigo inerente às missões, ele garante que há toda uma estrutura exclusivamente voltada para que o risco das operações seja reduzido ao mínimo possível.

"Minha última missão foi no Afeganistão, onde fui chefe de delegação. Lá, eu tinha uma equipe inteira exclusivamente dedicada apenas aos aspectos de segurança: contato com grupos armados, fossem eles organizados ou não, negociação de acesso a diversos locais. Além disso, essa equipe tentava se assegurar que nós seríamos respeitados e que todos os envolvidos no conflito saberiam quando nossos comboios estavam em trânsito."

Além de uma oportunidade de emprego, para Pontrandolfi, que atua na organização há 16 anos e já esteve em países como Kosovo, Afeganistão, Sudão e muitos outros, trabalhar na Cruz Vermelha é se deparar com o que há de melhor e pior no ser humano.

"É muito gratificante quando você vê que seu trabalho pode fazer a diferença para alguém que está sofrendo, que está passando por necessidades. É muito compensador. Eu aprendi em minhas missões muito mais com as pessoas que eu estava ajudando do que eu pude dar a elas. É algo que eu não poderia ter deixado de fazer em minha vida."

Como se candidatar?

Todos os postos oferecidos pelo CICV são remunerados, e a organização não trabalha com voluntários que queiram atuar apenas por alguns meses. "Nosso objetivo é que os profissionais fiquem bastante tempo conosco", esclarece Pontrandolfi.

Atualmente o processo funciona em duas etapas: primeiro, o candidato deve preencher uma ficha no site do ICRC, onde também se encontra a relação de vagas disponíveis no mundo inteiro.

A segunda etapa da seleção é feita em Genebra, onde o candidato vai participar de atividades que duram, geralmente, dois dias. Nessa fase, as despesas ficam por conta do postulante, e o resultado -- seja positivo ou negativo -- é divulgado cerca de dez dias depois.

Caso seja aprovado, o delegado vai receber um treinamento custeado pela Cruz Vermelha. Essas atividades, cuja duração depende da função a ser assumida, geralmente são desenvolvidas em Genebra ou em pólos descentralizados da organização.

Após o treinamento, onde o delegado vai ser apresentado não só às suas futuras atividades mas também à Cruz Vermelha como um todo, ele será alocado em uma das missões, geralmente por um prazo de um ano.

Segundo Pontrandolfi, não há uma meta de contratações no Brasil. "O principal para a gente é encontrar os perfis que sejam adequados às vagas que temos para oferecer".

Além de curso superior, os candidatos devem ter fluência em inglês e noções de francês. É fundamental também que o candidato saiba lidar com situações de estresse e pressão. Experiência prévia e conhecimento na área dos Direitos Humanos são considerados um diferencial, mas não são exigências do comitê. Há vagas para todas as áreas de conhecimento.

Embora sejam importantes, as qualificações acadêmicas não bastam. "Competências técnicas você pode encontrar no mundo inteiro. A motivação principal de alguém que queira trabalhar para o ICRC deve ser, obviamente, a humanitária. A vontade, capacidade, habilidade e interesse de trabalhar com pessoas em situação de necessidade", afirma Pontrandolfi.

Presença no Brasil

O CICV planeja aumentar sua presença no Brasil de duas formas e Pontrandolfi não descarta, futuramente, ter um recrutador atuando exclusivamente no país, para facilitar o processo de contratação.

Uma das estratégias é ser mais conhecido entre os brasileiros. A outra conhecer o mercado profissional brasileiro mais a fundo, para recrutar um número maior de profissionais no País. "Nós temos uma delegação baseada aqui, e temos a ideia de contratar alguém que nos ajude a entender melhor os perfis profissionais que tem no Brasil", explica Pontrandolfi.