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24/05/2015 19:50 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Baleias azuis não sabem mesmo como evitar navios de carga, indica estudo

ASSOCIATED PRESS
A 70-foot female blue whale, that officials believe was struck by a ship, is seen washed ashore on the Northern California coast Tuesday, Oct. 20, 2009, near Fort Bragg, Calif. Officials with the National Oceanic and Atmospheric Administration say the whale was spotted on the shores near Fort Bragg in Mendocino County Monday night, hours after an ocean survey vessel reported hitting a whale a few miles away. The dead animal has a gash on its back estimated to be more than 8 feet long. (AP Photo/Larry Wagner)

As baleias azuis e os navios de carga não se misturam. Na verdade, os cientistas dizem que frequentes colisões entre baleias e navios gigantes podem explicar porque a população de baleias azuis permanece baixa, apesar dos esforços para proteger esta espécie ameaçada de extinção.

Agora, um novo estudo revela por que esses navios representam uma grande ameaça às baleias: as gigantes gentis simplesmente não sabem como sair do caminho.

Inteligentes, mas vulneráveis. Como todos os outros tipos de baleias, as azuis são inteligentes. Elas são o maior animal da Terra e nunca tiveram que defender-se contra "predadores".

"Navios assassinos não fazem parte de sua história evolutiva, então elas não desenvolveram reações comportamentais a esta ameaça", disse o Dr. Jeremy Goldbogen, professor assistente de biologia na Universidade de Stanford e coautor do estudo, em um comunicado. "Elas simplesmente não têm nenhuma reação apropriada para evitar esses navios perigosos."

Como as baleias azuis respondem aos navios que se aproximam delas? No estudo, os pesquisadores usaram ventosas para acoplar dispositivos GPS e registros de mergulho em baleias azuis de Long Beach, na Califórnia, um dos portos mais movimentados do mundo.

Os pesquisadores observaram 20 navios passando por nove baleias, a distâncias que variavam entre 60 metros e mais de três quilômetros e analisaram como as baleias reagiam. Eles descobriram que as baleias tendiam a não se desviar do caminho para evitar o navio, mas elas faziam um mergulho lento.

"Observamos também a reação desse lento mergulho, ou o comportamento de afundamento, durante o processo", disse a Dra. Megan McKenna, bióloga do National Park Service e autora sênior do estudo, ao Huffington Post, em uma entrevista por telefone.

"Em alguns casos, depois de termos colocado as ventosas no animal, ele afundava até o perdermos de vista, possivelmente para sair do caminho... Então, isso seria uma evidência de uma 'reação de alarme' a um obstáculo na superfície."

(A história continua abaixo.)

Os dados do GPS da baleia azul mostram o animal (pontos azuis) subindo para a superfície e depois, lentamente, mergulhando e por pouco não acertando um navio de carga (pontos vermelhos) antes de mergulhar profundamente mais uma vez.

Não foi rápido o suficiente. Uma baleia deve mergulhar cerca de 30 metros abaixo da superfície para escapar de um navio em movimento. As baleias observadas no estudo afundaram a apenas cerca de meio metro por segundo - não era rápido o suficiente para sair da rota de um navio.

Os pesquisadores concluíram que a reação de mergulho lento é provavelmente um fator que deixa não só as baleias azuis, mas também, possivelmente, outras grandes baleias mais vulneráveis a colisões com navios do que com outras criaturas marinhas.

"A evasão limitada dos navios por baleias azuis foi um pouco surpreendente já que, às vezes, esperamos que uma espécie inteligente como as baleias azuis entendesse melhor a ameaça e soubesse como evitá-la", disse John Calambokidis, coautor do estudo, biólogo e um dos fundadores da organização Cascadia Research, com base em Olympia, Washington, ao The Huffington Post, por email. "Estes animais são extremamente adaptados para sobreviver em um ambiente marinho desafiador e rápido, os navios de grande porte não são coisas que eles tiveram que lidar ou estão evoluídos o suficiente para lidar."

Resolvendo o problema. Os pesquisadores planejam continuar acompanhando as baleias durante várias semanas. Além disso, eles planejam estender a pesquisa e incluir as baleias jubarte. A esperança é que os dados que recolheram ajudem a indústria naval a descobrir formas de minimizar o risco de colisões de navios ao mudar o trajeto ou diminuir a velocidade através das águas onde as baleias estão.

"Nós sabemos agora, pelo menos no caso das baleias azuis, que elas não reagem de forma a evitar a colisão", disse McKenna. "Então, agora a conversa deve ser como encontrar soluções para minimizar esse encontro."

O estudo foi publicado online na Endangered Species Research, em 29 de abril de 2015.

Tradução: Simone Palma

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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