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19/05/2015 21:04 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Senador evangélico acusa Fachin de ser contra 'família de Deus, com macho e fêmea'

Montagem/Agência Senado/Estadão Conteúdo

Se tem um senador que não precisou se aliar ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para anunciar em alto e bom som que não está satisfeito com a escolha da presidente Dilma Rousseff para o Supremo Tribunal Federal, este é o Magno Malta (PR-ES). Pouco antes de ser anunciada a aprovação do nome do jurista Luiz Edson Fachin, Malta subiu na tribuna do plenário do Senado e disparou contra o jurista. Integrante da bancada evangélica, o senador disse que não votaria em Fachin por suas convicções, por ele não defender a família de Deus, com macho e fêmea.

“Fui eleito pelos que acreditam em família nos moldes de Deus, macho e fêmea, fora isso é anomalia. Essa é a razão pela qual não sou hipócrita, estou fazendo referência a mim. Muitos me falaram para que eu não ser tolo, não falar. Diziam 'amanhã ele vira ministro do Supremo, caí um processo seu na mão dele e você estará arrebentado'. No dia que eu votar pensando em colocar um cangaceiro no Supremo, eu renuncio."

A principal reclamação de Malta é pela possibilidade de o Supremo aprovar a tipificação da homofobia como crime. O senador disse que na sabatina questionou o jurista sobre a opinião dele e ele deu uma resposta cheia de “Rolando Lero” político.

“O que é a homofobia? Porque banalizar essa palavra? Se você não aplaude o homossexualismo, você é homofóbico, se não faz coro, você é homofóbico, se defende posições da sua convicção de fé, você é homofóbico”, reclamou. “Perguntei o que ele achava e ele me deu uma resposta simplória,disse ser crime discriminar, como já diz a Constituição, mas eu recebi uma resposta com escorregões jurídicos, eu diria com Rolando Leros jurídicos.”

Malta também disse duvidar da capacidade de Fachin para atuar no STF por causa da sua opinião sobre bigamia e a marcha da maconha. Apesar das críticas, o senador gostou do jurista, católico, ter se apresentado contra o aborto e dito que a vida nasce a partir do momento da concepção. Malta reconheceu a capacidade jurídica de Fachin. “Seria um tolo não reconhecer o saber jurídico do Fachin."

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