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19/05/2015 12:39 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Brasil e China assinarão acordos de investimento de US$ 53 bilhões; entenda por que investir tanto dinheiro aqui pode ser um 'negócio da China'

Montagem/iStock/Estadão Conteúdo

Em visita ao Brasil o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, deve reafirmar a disposição da China em investir pesado no País.

Os governos do Brasil e da China devem assinar, nesta terça (19), acordos de investimento no valor de US$ 53,3 bilhões para as mais diversas áreas. Estão contemplados agronegócio, autopeças, equipamentos de transportes, energia, ferrovias, rodovias, aeroportos, portos, armazenamento e serviços.

O valor foi definido pelo subsecretário-geral do Itamaraty, José Alferdo Graça Lima, como “estratosférica”, segundo a Folha de S.Paulo. E de fato, é.

Em um ano de dificuldades econômicas, o governo aposta nos cofres cheios de dinheiro da China para pagar pelos investimentos em infraestrutura que o Brasil não tem como fazer.

Dentro do Planalto, o premiê chinês tem sido visto como "o salvador da Pátria" em um ano de ajuste econômico severo.

Funciona mais ou menos como juntar “a fome com a vontade de comer”: o Brasil tem espaço para investimentos e a China, que vive um momento de desaceleração da economia, tem capacidade para investir.

“Se os dois países forem bem sucedidos em estabelecer uma boa ligação entre a demanda e a oferta, o investimento chinês irá suprimir a falta de dinheiro no desenvolvimento econômico brasileiro", afirmou o diretor do escritório para a pesquisa do Brasil da Academia Chinesa de Ciências Sociais, Zhou Zhiwei à CRI Online.

Em 2014, o Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos em um país) chinês cresceu 7,4%, o menor patamar em 24 anos. No primeiro trimestre de 2015, o PIB chinês cresceu 7%, o menor ritmo em seis anos.

Entre os anúncios mais esperados para a visita, estão a abertura do mercado da China à carne bovina do Brasil e a concretização da operação de venda e entrega do primeiro lote de aeronaves da empresa aeroespacial brasileira Embraer, de um total de 40, à chinesa Tianjin Airlines, ambos compromissos feitos durante a visita de Estado do presidente Xi Jinping a Brasília, em julho de 2014.

A China é o maior parceiro comercial do Brasil desde 2009.

No ano passado, as exportações do Brasil para o país asiático foram de US$ 40,6 bilhões e as importações de US$ 37,3 bilhões. O Brasil exporta para a China principalmente soja e minérios de ferro e compra, em sua imensa maioria (97,1%), produtos manufaturados como itens variados de tecnologia.

Separamos três mercados promissores que fazem com que o Brasil seja um negócio da China para... a China.

1. Mercado automotivo

Em agosto do ano passado, a montadora chinesa Chery inaugurou sua primeira fábrica no Brasil, na cidade de Jacareí (a cerca de 70 km de São Paulo). Também foi a primeira instalação fabril da empresa fora da China.

A vinda da fábrica para cá representou um investimento de US$ 522 milhões bancados pela Chery, com aporte de bancos chineses - incluindo a construção um centro de pesquisa e desenvolvimento.

A expectativa da gigante chinesa com o investimento é de alavancar as vendas no país e aumentar sua penetração no mercado latino-americano exportando os produtos fabricados aqui principalmente para a América do Sul.

2. Investimentos ferroviários

A China aguarda a licitação de trechos já incluídos no programa de concessões lançado em 2012 para dar início a uma obra faraônica, e que é a menina dos seus olhos: uma ferrovia que ligará o litoral brasileiro ao litoral peruano – com saída para o Oceano Pacífico.

A obra, que representa uma rota alternativa para os chineses, que atualmente contam com o canal do Panamá, controlado pelos EUA, para o Pacífico deve custar caro: cerca de US$ 30 bilhões.

Embora ainda seja uma promessa, a entrada dos chineses nesse ramo já tira o sono da indústria nacional.

Dentro desse contexto da transoceânica, os chineses estão de olho na Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), uma malha de 883 quilômetros prevista para ligar o maior polo de produção de grãos no País, na região de Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso, até sua ligação com a Ferrovia Norte-Sul, em Campinorte (GO).

O temor da indústria não é a construção da ferrovia, uma iniciativa que é muito aguardada pelo setor. A apreensão é com os acordos atrelados ao projeto, como importação de trens de passageiros, vagões, locomotivas e tudo o mais que envolva a estrada de ferro.

Segundo os empresários chineses, no entanto, o acordo só traz vantagens: o Brasil contaria com uma logística mais barata e eficiente para o escoamento de produtos e a China forneceria produtos e know how. Além disso, reduzindo o custo dos transportes, a China reduziria também o custo das commodities que importa do Brasil.

3. Energia

Mais um ponto que deve ser tratado nas conversas entre Dilma e Li é a questão da energia. O país asiático vem aumentando seus investimentos em energia na América Latina, e desde 2013 é o principal destino das exportações brasileiras de petróleo.

De acordo com a BBC, a operação Lava Jato pode representar uma oportunidade de maior investimento para as empresas chineses, especialmente por conta de contratos cancelados após as investigações.

A China também fez um empréstimo de US$ 3,5 bilhões para a Petrobras, em um momento em que a empresa têm dificuldades de obter recursos.

Os chineses também anunciaram nesta terça investimentos de R$ 150 milhões para instalação da primeira fábrica de painéis solares fotovoltaicos no Brasil. A nova fábrica de painéis e um centro de pesquisa serão instalados em Campinas.

O empreendimento será realizado pela BYD Energy. A empresa faz parte do Grupo BYD, que emprega 180 mil pessoas em 15 unidades instaladas em várias partes do mundo. Desde 2011, o grupo prospecta o mercado brasileiro.

No ano passado, o grupo chinês aportou R$ 100 milhões na instalação de uma fábrica de ônibus elétricos na cidade.

De acordo com informações da Apex Brasil, até 2017, o grupo pretende investir R$ 1 bilhão no País

(Com informações da Agência Estado)