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18/05/2015 11:08 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Procurador de Justiça alega insanidade mental para justificar 'barraco' em bordel de São Paulo em 2014

Montagem/iStock

Um procurador de Justiça de São Paulo está sendo investigado por um caso daqueles que parece mentira, mas não é. Carlos Roberto Marco Garcia foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) após se envolver em uma confusão em um bordel de Botucatu, no interior paulista, em julho de 2014. E a escalada só aumentou dali para frente, o que para a defesa só demonstra uma coisa: insanidade mental. O caso foi previamente reportado pelo site Jota.

De acordo com a acusação da Procuradoria-Geral de Justiça, ele teria insultado garotas de programa depois de não se sentir plenamente satisfeito. No processo, consta que Garcia ingeriu bebidas alcoólicas e Viagra durante uma ida dele à boate Classe A. Lá, o procurador ficou entre 21h e 2h do dia seguinte, consumindo bebidas e “ofendendo as meninas”, disse ao Brasil Post o dono do estabelecimento, José Silvio Bonfim.

“Ele ofendia bastante as garotas, várias vezes. Depois, não quis pagar nada. Fez um escarcéu e agora está correndo isso aí na Justiça”, relembrou Bonfim. Ele confirmou ainda algumas falas atribuídas ao procurador, que ficou bastante exaltado após não conseguir chegar ao orgasmo, passadas mais de duas horas com duas garotas dentro da casa noturna.

“Vadias, vagabundas, gozaram cinco vezes e não tiveram capacidade de me fazer gozar uma única vez”, afirmou Garcia. Para não pagar, o procurador alegou ainda que a culpa era das garotas e que elas deveriam pagar pelo programa, já que “sua r… era grande e gostosa”. Vários funcionários do bordel prestaram depoimento à polícia e destacaram que o procurador insistia que só iria embora após estar plenamente satisfeito.

Frustrado, Garcia se identificou como procurador de Justiça, chamou a polícia e ameaçou fechar o estabelecimento. A escalada da confusão estava apenas começando. Depois de muito bate-boca, ele aceitou pagar a comanda de R$ 400. Em seguida, Garcia foi à delegacia pedir o fechamento do local. Os policiais desconfiaram e acabaram sendo ofendidos. O delegado José Sérgio Palmieri Júnior foi então acusado de “manter um relacionamento com uma das prostitutas”.

Um inquérito policial foi aberto e, após os depoimentos, os policiais perceberam que se tratava de uma estratégia do procurador, que se deu conta da enrascada em que estava metido. Garcia acabou, na sequência, acusando o delegado seccional, Antônio Soares da Costa Neto, de prevaricação (não cumprir a sua função), na tentativa de jogar uma cortina de fumaça sobre todo o episódio.

A ‘caça as prostitutas’ do procurador chegou ao conhecimento do MP-SP que, para Garcia, deveria agir rápido para fechar todas as boates de Botucatu, incluindo àquela que lhe gerou tanta frustração. Sem sucesso, o procurador ainda ofendeu colegas em um Fórum de Botucatu, se passando por enviado do então corregedor-geral Nelson Gonzaga. Não satisfeito, ele ainda acusou o juiz Josias de Almeida Jr., da 1ª Vara Criminal da cidade, de “compactuar com ilicitudes” do delegado local.

O caso corre no Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP)desde janeiro deste ano e, na quarta-feira passada foi recebida a denúncia formal por parte do MP-SP. Coube ao procurador Gilberto De Angelis formalizar as acusações de denunciação caluniosa, desacato e usurpação de função pública. Caberá agora ao relator, desembargador Xavier de Aquino, avaliar o caso e definir o prosseguimento da denúncia.

Defensor argumenta pela insanidade mental

Ao Brasil Post, o advogado Edson Edmir Velho, que representa Garcia no caso, disse que já pediu uma perícia psiquiátrica ao seu cliente, que seria portador de uma doença mental. “Ele tem problemas psíquicos. Já ocorreram fatos anteriores que são de conhecimento dos membros do MP-SP. Ele esteve internado em clínica também”, afirmou o advogado. Na sessão no TJ-SP, Velho disse que Garcia possui “transtorno bipolar”.

“Existem fatos dentro do processo que, aliados ao transtorno dele, demonstram as razões dele ter chegado nesse limite. O transtorno foi impulsionado por outros fatores que levaram a tudo isso”, disse o advogado. No processo, a defesa apresentou uma tentativa de suicídio (Garcia teria sido salvo por um pastor evangélico) e uma passagem em um velório (o procurador teria tentado ressuscitar um morto) como fatos contundentes da insanidade dele. Já a acusação nega que o procurador tivesse demonstrado qualquer problema.

Se o atestado de insanidade for aceito, o processo principal é suspenso e um perito será designado pela Justiça para avaliar o procurador. Se for negado, o processo continua e Garcia pode até perder o cargo na Promotoria, o qual ocupa desde 1988.