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18/05/2015 10:17 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Coalizão liderada pelos EUA tenta retomar controle de Ramadi; base importante no Iraque foi tomada pelo Estado Islâmico

AHMAD AL-RUBAYE via Getty Images
Iraqi children, who fled with their families the city of Ramadi after it was seized by Islamic State (IS) group militants, gather outside tents at a camp housing displaced families on May 18, 2015 in Bzeibez, on the southwestern frontier of Baghdad with Anbar province. Shiite militias converged on Ramadi in a bid to recapture it from jihadists who dealt the Iraqi government a stinging blow by overrunning the city in a deadly three-day blitz. AFP PHOTO / AHMAD AL-RUBAYE (Photo credit should read AHMAD AL-RUBAYE/AFP/Getty Images)

Ciente do duro revés em Ramadi, uma das cidades mais importantes no Iraque, o secretário de Estado americano, John Kerry, disse nesta segunda-feira (18) estar confiante na retomada do município "nas próximas semanas". Capital da província de Anbar, a mais importante do país, Ramadi fica a pouco mais de 120 Km da capital Bagdá e está estrategicamente localizada próxima do lago Tharthar, o maior do Iraque, utilizado na irrigação de lavouras e para o fornecimento de água potável.

Kerry afirmou, durante entrevista coletiva em Seul, que Ramadi foi um "alvo de oportunidade" para os militantes do Estado Islâmico. "Estou convencido de que, à medida que as forças forem reenviadas e os dias passarem nas próximas semanas, isto vai mudar, eles [os jihadistas] serão retirados", disse. Os combatentes do EI informaram que tomaram controle total de Ramadi no domingo, na maior derrota para o governo de Bagdá desde o ano passado. De acordo com o site do jornal The New York Times, a perda da cidade foi confirmada pelo porta-voz da província iraquiana de Anbar.

Tentando retomar a cidade, as milícias xiitas seguiam nesta segunda para Ramadi com o objetivo de ajudar as forças iraquianas no combate contra os jihadistas sunitas. Até o momento, Bagdá e Washington optaram por favorecer o desenvolvimento de forças regulares locais e do Exército iraquiano, mas os líderes das milícias afirmaram hoje que ficou claro nos últimos dias que o governo não pode prescindir de reforço de Unidades Populares de Mobilização, que reúnem milícias e voluntários.

Hadi al-Ameri, comandante da poderosa milícia xiita Badr, disse que as autoridades de Anbar deveriam ter aceitado sua oferta antes. Ameri afirmou que considera as autoridades "responsáveis pela queda de Ramadi porque foram contrárias à participação" das Unidades Populares de Mobilização. Um porta-voz do Ketab Hezbollah, um importante grupo paramilitar xiita, afirmou que a organização já tem unidades preparadas para viajar até Ramadi, a partir de três localidades.

O EI anunciou que assumiu o controle total da cidade iraquiana de Ramadi, em um comunicado divulgado em fóruns na internet. O grupo utilizou vários carros-bomba para entrar em bairros controlados pelo governo. A bandeira negra do grupo foi hasteada no centro de operações da província de Anbar e milhares de pessoas fugiram da cidade. De acordo com as autoridades locais, ao menos 500 pessoas morreram nos três dias de cerco.

Apesar de o Pentágono ter anunciado no domingo (17) que a situação em Ramadi "permanece disputada e que é muito cedo para fazer declarações definitivas", militares iraquianos confirmaram que as bases foram abandonadas. Agora, a queda de Ramadi e a expansão do EI na província de Anbar parecem uma crescente ameaça para Kerbala, cidade sagrada para os xiitas e berço do cisma entre as duas principais correntes do islamismo.