ENTRETENIMENTO
18/05/2015 17:02 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

8 superproduções que ficaram prontas enquanto esperávamos 'Chatô' (GIFs)

Reprodução

Aconteceu! Nesta semana, o mundo finalmente assistiu ao trailer do filme Chatô – O Rei do Brasil. Em um trailer de 2 minutos e 46 segundos dá para ver Marco Ricca caracterizado como Chatô e Paulo Betti – que topou dar uma força para fechar o filme – como Getúlio Vargas. Segundo Fontes, o filme tem 1 hora e 53 minutos de duração. Ou 20 anos, dependendo do ponto de vista. Mas calma, não sabe do que se trata? A gente te explica.

Senta que lá vem história. O que você vai conhecer é um clássico que vai completar 20 anos e já é uma referência em gastança de dinheiro público no Brasil. Em 1994, quando a seleção se tornava tetracampeã do mundo, enquanto Kurt Cobain morria de forma trágica e (socorro) enquanto muitos de nós nascíamos, o ator global Guilherme Fontes comprou os direitos para filmar Chatô – Rei do Brasil, livro lançado naquele mesmo ano por Fernando Morais.

Embora o “breve nos cinemas” dê um alívio, o atraso cobrou um precinho ruim. Como descolou uma montanha de dinheiro sem cumprir os prazos, Guilherme Fontes e sua produtora foram condenados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) a devolver cerca de R$ 80 milhões por “mau uso” de recursos públicos. No documento, a defesa de Fontes diz que o filme já foi catalogado pela Ancine, mas o órgão e o Ministério da Cultura não ficaram satisfeitos com a demora.

Era para Chatô sair em 1997, mas já estamos em 2015 e nada. Sabe quantos filmes já foram lançados desde que a adaptação de Fontes entrou em produção? Se liga:

1. Toy Story (1995)

19 anos atrás, Buzz Lightyear, Woody e Andy abriram as portas para as animações da Pixar com o primeiro Toy Story. Após isso, rolaram duas sequências, em 1999 e 2010 – e até um quarto episódio foi anunciado para 2017. E o Chatô? Provavelmente no infinito e além.

2. Titanic (1997)

Sim, a história de amor entre Jack e Rose afundou antes que Chatô ficasse pronto. A megaprodução de quase 3 horas de duração, dirigida por James Cameron faturando mais de 1 bilhão de dólares e se tornou uma das maiores bilheterias da história do cinema. Lembra como era na locadora? Dois VHS separados, cada um com metade da história. Era um saco pra rebobinar, mas tão linda a cena dos velhinhos se abraçando. Chatô deveria ficar pronto naquele mesmo ano.

3. Matrix (1999)

O bullet-time, a sociedade distópica e os efeitos especiais de Matrix, de 1999, aguçaram os debates sobre o futuro da tecnologia antes que Chatô rolasse. Nesta época, Fontes começou a filmar sua grande obra, após anos de problemas para construir os cenários, arranjar novos produtores e escalar o elenco. O ator Marco Ricca ficou com o papel de Assis Chateaubriand. Além dele, nomes de atores como Paulo Betti, Letícia Sabatella e Matheus Nachtergaele fecharam o pacote de grandes estrelas. Ufa! Mas, espera: começou a rodar em 1999? Não era pra ficar ponto em 1997? Uhum.

4. Harry Potter (2001)

Bom, Harry Potter a Pedra Filosofal saiu há 14 anos. Sim, você está velho. Depois disso, vieram mais oito filmes. Harry cresceu, Voldemort ressurgiu e foi derrotado, Rony e Hermione se conheceram melhor e J.K Rowling encerrou toda a saga. Seria Chatô a última horcruxe?

5. Boyhood (2002-2013)

Chatô – o rei do Brasil já carrega a pecha de ser o "Boyhood nacional". O termo não é muito correto, já que a obra filmada ao longo de 12 anos por Richard Linklater ficou pronto antes da nossa versão tupiniquim. Os atores de BoyHood envelheceram, o filme foi indicado ao Oscar e o Chatô foi? Não foi.

6. Star Wars: A vingança dos Sith (2005)

Você gostou do Jar Jar Binks? Ok, é uma pergunta retórica. Gostando ou não, a última trilogia de Star Wars, sobre a trajetória de Anakin Skywalker, acabou em 2005. Há dez anos. É, já faz tempo desde o Yoda lutando boladão. Já enrolado e sob pressão, Fontes angariou patrocínios municipais para dar uns tapas a mais na produção.

7. Vingadores (2012)

A Marvel começou a formular seu universo cinematográfico em 2008, com o lançamento de Hulk e Homem-de-Ferro. Nos anos seguintes, o estúdio lançou Thor, Capitão-América e Homem-de-Ferro 2. Por último, rolou os Vingadores, reunindo todo este elenco de heróis em um filme só. Vingadores já foi para o segundo filme e o Chatô não virou. Já com novas multas e investidores irritados nas costas, a adaptação de Fontes em 2012 já parecia um sonho.

8. O Hobbit – A Batalha dos Cinco Exércitos (2014)

Peter Jackson adaptou todas a batalhas da trilogia Senhor dos Anéis e decidiu contar a origem do universo de Tonkien antes que Chatô ficasse pronto. Em O Hobbit – A Batalha dos Cinco Aneis, Bilbo Bolseiro finalmente recupera o tesouro dos Anões que repousava embaixo do dragão Smaug. E não era uma cópia de Chatô.

Leu até aqui? Entenda um pouquinho mais sobre Chatô então:

Assis Chateaubriand, protagonista da obra, foi uma figura emblemática entre os anos de 1940 a 1960. Chateaubriand criou o Diário dos Associados, um grupo que mantinha a editora e a revista O Cruzeiro, 36 estações de rádio, 18 emissoras de televisão e 34 jornais. Lembra da TV Tupi? Foi ele que fundou. Academia Brasileira de Letras? Ele também entrou.

Além de tudo isso, o empresário ajudou a elaborar o MASP (Museu de Arte de São Paulo), na Avenida Paulista. Até hoje o museu carrega o nome dele em homenagem. Ele não era um magnata só bem relacionado por aqui. A rede de contatos de Chateaubriand era tão grande que chegava até na rainha Elizabeth 2º, que veio especialmente ao Brasil, em 1968, para a inauguração do museu patrocinado por Chatô.

Uma história e tanto, né? O galã de novela também achou. Com malemolência, Fontes conseguiu patrocínio da Petrobrás, BNDES, Ministério da Cultura, Ancine e empresas privadas para filmar essa história. Além de Chatô – O Rei do Brasil, longa ficção baseado no livro, Fontes também pensou num documentário dividido em vários capítulos em VHS. Sim, em fita.

No início da produção, Fontes prometia um "épico tropicalista", com recriação de cenários dos anos 30, 40 e 50 de diversos lugares do Brasil. A expectativa foi enorme. Foram criados cenários chiquérrimos, com equipe e material de ponta. Com tanta grana na mão, ele convocou até o próprio Francis Ford Coppola para ajudar na produção. Sim, até o diretor de O Poderoso Chefão iria entrar na parada.

Fontes pensava que ia conseguir um dinheiro extra de investidores gringos e ajudar a bancar os seus gastos, mas a parceria não rolou como o esperado. Conclusão: Coppola e uma galera caíram foram da produção sem colocar a grana esperada por Fontes. Sozinho, o ator que já fez papel romântico com a Sandy na TV (sério), assumiu a direção ele mesmo.

Agora vai? Isso a gente não sabe. Enquanto não rola o filme, Fontes aparece diariamente na reprise de O Rei Do Gado, novela de 1996 que, olha só, terminou antes de Chatô – O Rei do Brasil ir aos cinemas.

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