MULHERES
14/05/2015 16:39 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Caça aos trolls! ONG quer lançar app para combater assédio virtual contra mulheres em tempo real

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Cerca de 40% de mulheres usuárias da internet já sofreram algum tipo de assédio online. Mas um novo serviço quer usar a própria tecnologia para vencer os trolls e bullies que insistem em cometer este tipo de comportamento. Assim nasceu o HeartMob, um aplicativo idealizado pela ONG americana Hollaback! que quer proteger vítimas e mobilizar pessoas contra esse tipo de violência contra a mulher.

A plataforma vai ajudar indivíduos (sem discriminação de gênero) que estejam sofrendo ataques virtuais dando apoio em tempo real e convocando voluntários e testemunhas para agir em conjunto. Em tese, o aplicativo quer devolver às vítimas o controle sobre suas informações pessoais e, principalmente, reputação e estado emocional que facilmente são atingidos pelos trolls. Para você lembrar: A Ana e a Anita sabem bem como é isso.

Uma campanha no Kickstarter foi lançada e pretende alcançar US$ 10.000,00 em doações voluntárias para auxiliar no desenvolvimento completo da plataforma. O HeartMob pretende ser lançado e disponibilizado para download em setembro deste ano mas, enquanto isso, a Hollaback! resolveu promover no Twitter a hashtag #MyTroll, propondo que as pessoas compartilhem suas histórias e experiências. Isso foi o que apareceu por lá:

Como vai funcionar?

"Por muito tempo, muitos de nós já se sentiram impotentes e sem saber como pedir ajuda ou formas de prestar apoio", diz a descrição no Kickstarter. "Com o aplicativo, você terá um sistema de apoio direto que poderá te dar uma mãozinha na hora de lidar com o assédio", conclui.

Você pode fazer a sua denúncia e tornar a situação pública, e receber ajuda de voluntários para tomar uma providência ou intervir. Porém, se você quiser ficar apenas como expectador, você pode ajudar nos apelos públicos.

No texto disponível no Kickstarter, a Hollaback! diz que a equipe que cuida do aplicativo quer que ele se torne o mais seguro possível - seja na experiência do usuário ou em atualizações - e, por isso, além de parcerias com outras empresas, promete manter um controle sobre todas as mensagens e relatos para garantir um ambiente confortável.

Não ao assédio online!

Pelo menos 26% de jovens mulheres entre 18 e 24 anos já foram perseguidas on-line, e 25% já foram alvo de assédio sexual via internet. Quem afirma é um novo estudo realizado pelo instituto “Pew Research Center”, nos Estados Unidos. De acordo com a pesquisa, no geral, 40% dos usuários adultos de internet experimentaram pessoalmente alguma forma de intimidação on-line (você pode ver a pesquisa completa clicando aqui).

A pesquisa é sobre a internet americana e tenta quantificar o assédio em todas as suas formas, que vão desde xingamentos e esforços para constranger os outros, até comportamentos mais extremos, como perseguição, ameaças físicas e assédio sexual - em especial com mulheres. É fruto de um trabalho de pesquisa com mais de 2.800 entrevistados, com margem de erro de mais ou menos 2,4 pontos percentuais.

Entre as pessoas que disseram ter sido assediadas on-line, 55% relataram que o sentiram exclusivamente em formas mais brandas, enquanto 45% disseram que foram objeto de variedades graves de assédio. De todos os usuários adultos da internet, 22% tinham experimentado formas leves de assédio on-line, relatou o Pew, e 18% tinham vivido formas graves.

Metade das pessoas que disseram ter sido assediadas não conhecia a pessoa responsável pelo episódio mais recente. Apesar de intimidação on-line das mulheres ter recebido mais atenção nos últimos tempos, a pesquisa traz um dado instigante: os homens são um pouco mais propensos que mulheres a sofrer assédio internet de alguma forma, em 44% para 37%. Quase três quartos dos usuários de internet tinham testemunhado alguém sendo assediado on-line.

A pesquisa é uma tentativa de mostrar a extensão com que o assédio tem afetado as experiências on-line de muitas pessoas, em especial as mulheres. Assim como o The New York Times classificou, o estudo fornece uma visão mais aprofundada de um fenômeno que tem atraído grande atenção nos últimos meses, com a perseguição a mulheres desenvolvedoras e críticas de videogames na internet.

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