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10/05/2015 13:15 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:03 -02

Em julgamento simbólico, governador Beto Richa é condenado por massacre de professores do Paraná

Montagem/Facebook e Estadão Conteúdo

O governador do Paraná Beto Richa (PSDB) foi considerado culpado pelo massacre de professores em Curitiba, no último dia 29 de abril. Pelo menos em um julgamento simbólico realizado na noite de sexta-feira (8) pelo setor de Ciências Jurídicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Juristas renomados participaram do evento e repudiaram a ação da Polícia Militar. Convidado, Richa não compareceu.

“Qualquer pessoa sabe que quem responde pelo Estado é o governador. Se o Estado fez o que fez, é ele quem tem que responder. Não adianta dizer ‘foi fulano, eu demiti fulano’. Ele é o responsável. A sanção natural para o que aconteceu é o impeachment do governador”, avaliou o jurista Celso Antônio Bandeira de Mello, professor emérito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Além dele, o evento no Teatro da Reitoria da UFPR contou com a presença os juristas Jorge Luiz Souto Maior (USP), Larissa Ramina (professora de Direito Internacional da UFPR), e com o sociólogo Pedro Rodolfo Bodê de Moraes (UFPR). Os julgadores ouviram depoimentos do professor Hermes Leão, presidente da APP-Sindicato (entidade que representa os professores do Estado), que reclamou do governo e disse que “o Paraná vive uma ditadura”.

Outros dois juristas – Fabio Konder Comparato (USP) e Flavia Piovesan (PUC-SP) – fizeram manifestações condenando a postura do governo do Paraná na violência contra os professores, que deixou um saldo de 213 feridos. Enquanto Comparato sugeriu a criação de uma lei penal para responsabilizar autoridades pelo uso da polícia em protestos, Flavia analisou que houve um claro autoritarismo contra os direitos humanos.

Segundo informações da APP-Sindicato, Richa enviou o seu advogado Arnaldo Busato ao evento da UFPR. Nele, o representante teria chamado o governador de ‘Roberto Richa’ (o nome do tucano é Carlos Alberto Richa) e ainda culpou o agora ex-secretário de Segurança, Fernando Francischini – que pediu demissão no mesmo dia do julgamento simbólico – por toda a violência.

O advogado de Beto Richa, Arnaldo Busato, neste momento defende seu cliente, e compara o evento ao Tribunal Jacobino Revolucionário. Todos ficam de costas para ele. "Roberto Richa" pede diálogo

Posted by Tarso Cabral Violin on Sexta, 8 de maio de 2015

Todos os juristas criticaram a lei que modifica a previdência do Paraná (Souto Maior a considera ‘ilegítima’) e pregaram a responsabilização de Richa pelo episódio no Centro Cívico. Ao final, o governador acabou condenado pelos presentes. A plateia aplaudiu as opiniões e a decisão, interrompendo o debate em vários momentos para gritar ‘Fora Beto Richa’.

Não muito longe dali, o Ministério Público do Paraná (MP-PR) segue apurando as eventuais violações dos direitos humanos contra os professores estaduais. Mais de 80 pessoas já foram ouvidas no processo, que promete conclusões nas áreas civil e criminal, apontando os responsáveis por todo o episódio. Segundo a PM do Estado, um inquérito militar também já está em andamento para avaliar possíveis abusos da tropa.

A íntegra do evento na UFPR você pode assistir aqui.