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08/05/2015 20:52 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:03 -02

Quem é o cara que tenta recuperar a grana da roubalheira que rola em Brasília

Glaucio Dettmar/VICE

Nas regatas a remo, um timoneiro grita na proa do barco, ditando o ritmo e dando ânimo, comandando a tripulação ao indicar com clareza e convicção a linha de chegada lá na frente. Beto Vasconcelos não é esse homem. O novo secretário de Justiça do governo Dilma Rousseff (PT) aparece ali, um pouco abaixo.

Você pode vê-lo sob aquela cabeleira clara com um penteado antigo repartido ao meio. É o atleta mais jovem da equipe, aquele cara que rema onde chovem os perdigotos do líder, o que vai sentado num duro banco de madeira onde se esfola o rego em movimentos curtos, repetidos e vigorosos, sem tempo de olhar para os lados para se certificar se o barco segue o rumo ou se já atravessou as raias na transversal, arrastando consigo boias, bandeirolas e algas, abalroando adversários e saindo do leito, avançando de ré sob os gritos de um guia caolho.

Com mais sorte, Vasconcelos teria calhado num barco à altura da promessa que ele mesmo representa para o PT: a de um obstinado jovem de 38 anos com um passado icônico e um futuro promissor.

Mas, na tormenta de escândalos de corrupção que há meses castiga a Esplanada, coube ao moço assumir o ingrato papel de sanitarista, do homem de quem se espera esmero na faxina, o dono do esfregão encarregado de limpar o resultado da náusea alheia no convés do poder.

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