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08/05/2015 11:12 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Comandante da PM do Paraná pede demissão e reafirma que operação contra professores teve apoio de secretário de Segurança

Montagem/Estadão Conteúdo

Como esperado, o coronel César Kogut, comandante da Polícia Militar do Paraná, deixou o cargo no fim da tarde desta quinta-feira (7). A saída – oficialmente, um pedido de demissão – é mais uma consequência da violência policial contra professores do Estado no último dia 29 de abril, em Curitiba, a qual deixou um saldo de 213 feridos. Kogut saiu atirando contra o secretário de Segurança Fernando Francischini, que pediu para sair no fim da manhã desta sexta-feira (8).

“O secretário conhecia e participou de tudo. A responsabilidade pelos atos, certos ou errados, é em conjunto entre a PM e quem esteve na execução do planejamento. Legalmente, a coordenação operacional pertence à secretaria”, disse Kogut, em entrevista ao jornal Gazeta do Povo. Em nota, o coronel afirmou que estava saindo por “dificuldades intransponíveis com a Secretaria de Estado da Segurança”.

No início da semana, Francischini repassou para a PM a culpa pelo massacre no Centro Cívico, alegando que “a responsabilidade das operações de campo são da Polícia Militar”, e que a secretaria ficaria apenas com a parte administrativa. Contudo, o comando da PM e transcrições do debate entre deputados na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) no dia 29 mostram que o secretário estava acompanhando atentamente toda a movimentação, e teve participação nela.

Mesmo garantido pelo governador Beto Richa (PSDB) no cargo durante toda a semana, o fato da repercussão negativa prosseguir, somada ao agravamento das relações de Francischini com a PM estadual – 16 dos 19 coronéis da ativa se posicionaram ao lado de Kogut no imbróglio – ainda deixavam o secretário na corda bamba. Aliados do tucano diziam que só a queda do secretário irá acalmar não só a corporação, mas também os professores e a sociedade. Isso aconteceu na manhã desta sexta-feira.

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Posted by Governo do Estado do Paraná on Sexta, 8 de maio de 2015

“A manutenção de Fernando Francischini na SESP (Secretaria de Segurança do Paraná) ofende profundamente a inteligência e a moral do povo paranaense”, publicou a Associação de Defesa dos Direitos dos Policiais Militares (AMAI), uma das entidades que ficaram contra o secretário e que estuda acioná-lo na Justiça por conta da sua fala contra os policiais. Interinamente, o comando da PM do Paraná está com o coronel Carlos Alberto Bührer.

Quando à violência empregada contra os professores, Kogut defendeu os policiais, dizendo que quem avançou primeiro sobre a tropa foram os manifestantes. Nesse ponto, o discurso do agora ex-comandante da PM, de Richa e do agora ex-secretário Francischini continua inalterado. O Ministério Público do Paraná (MP-PR) deve ouvir Kogut e também Francischini no processo que investiga os possíveis abusos da corporação durante o episódio.

Os dois possíveis nomes mais cotados para substituir Kogut, que comandava a corporação desde 2013, são os dos coronéis Nerino Mariano de Brito e Maurício Tortato. Nerino, aliás, esteve presente em outro incidente envolvendo professores. Em 30 de agosto de 1988, o então 2º tenente da PM comandou o Comando e Operações Especiais (COE) da PM na repressão a docentes no governo de Alvaro Dias (PSDB), no mesmo Centro Cívico. Na ocasião, dez pessoas ficaram feridas.

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