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06/05/2015 21:47 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

'Mulher que bate como homem tem que apanhar como homem', diz chefe da Bancada da Bala

Montagem/Câmara dos Deputados/Estadão Conteúdo

A sessão que analisa a medida provisória do Seguro-Desemprego, que faz parte do ajuste fiscal, na Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (6), se tornou palco de mais um triste episódio da política brasileira. No meio dos debates sobre o mérito do projeto, uma discussão de gênero tomou conta do plenário e culminou na declaração do deputado Alberto Fraga (DEM-DF) de que “mulher que participa da política e bate como homem tem que apanhar como homem também”.

O comentário foi direcionado à líder do PCdoB, Jandira Feghali (RJ). De acordo com Fraga, ela usou da condição de mulher para agredir o deputado Roberto Freire (PPS-SP). Freire discutia com o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) sobre a medida provisória. Irritado, ele pegou no braço da deputada.

Após ver a cena, Fraga, coronel aposentado da PM do DF e presidente da Bancada da Bala, defendeu o colega:

"Ninguém pode se valer da condição de mulher para querer agredir quem quer que seja. Digo sempre que mulher que participa da política e bate como homem tem que apanhar como homem também."

As palavras do parlamentar foram recebidas com protesto pelas mulheres presentes no plenário. As deputadas questionaram se o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), iam deixar que Fraga continuasse. “Não tenho condições de censurar quem quer que seja”, disparou Cunha.

Fraga continuou e disse que a atitude da deputada foi “tempestiva e arrojada”. “Foi ela que pegou no braço dele. Eu estava ao lado, eu vi. Os que são mais valentes me procurem logo após aqui”, emendou.

Diante os protestos, Freire subiu na tribuna e pediu desculpas à deputada. Segundo ele, a deputada se colocou entre ele e Silva e ele a tirou. "Pode ter sido com um pouco de força". A Bancada Feminina reagiu em coro: “violência contra a mulher, não é o Brasil que a gente quer”.

A deputada disse que presenciou o destempero de Freire e foi vítima das ameaças de Fraga. Ela argumentou que firmeza e coragem são características das mulheres. Acrescentou ainda que a luta das mulheres é dura, pela cobrança cultural. “Talvez os homens não compreendam os compromissos que deixamos para trás e como pesa sobre nós a cobrança de estarmos aqui e não em casa cuidando os filhos”.

"Lamento muito que alguns deputados tenham permitido e apoiado as falas de Alberto Fraga. Não podemos confundir divergência política com violência, ameaça e quebra de decoro. Hoje foi comigo, ontem com a deputada Maria do Rosário, amanhã pode ser contra qualquer um, que apoiou a atitude fascista do deputado Alberto Fraga.

Fraga desdenhou as declarações da deputada e disse que ela mostrou as características de “atriz”. Ele reiterou que as declarações anteriores e pediu respeito ao seu mandato.

Petrodólares

A discussão ocorreu minutos após o presidente Eduardo Cunha determinar o esvaziamento das galerias do plenário. Integrantes da Força Sindical, que acompanhavam a votação, protestaram contra o projeto com chuva de petrodólares - notas falas de 100 dólares com fotos da presidente Dilma Rousseff, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.