COMPORTAMENTO
06/05/2015 16:15 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

É hora de parar de usar estas frases para falar de doença mental

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Uma pesquisa da Política de Controle Nacional de Drogas da Casa Branca mostra que os termos carregados usados para descrever o vício em drogas, tais como “limpo” e “sujo”, afastam as pessoas da ajuda, relatou o The Huffington Post em março.

O mesmo vale para a terminologia usada para descrever doenças mentais. Frases como “suicídio malsucedido” podem atrapalhar em vez de ajudar o diálogo sobre suicídio e depressão.

As doenças mentais atingem muita gente. Um em cada cinco americanos terão problemas mentais ao longo da vida, segundo o Departamento de Saúde e Serviços Humanos do governo dos Estados Unidos. Muitos dizem se sentir estigmatizados por amigos, familiares, desconhecidos e pela mídia.

Como a mídia tem grande impacto na percepção das doenças mentais pelo público, e como a escolha de palavras é delicada, a Associação Psiquiátrica Americana criou um conjunto de diretrizes para ajudar os jornalistas a tratar de doenças mentais e suicídios de maneira responsável.

A expectativa dos profissionais da área de saúde mental é que essas normas sirvam como um guia para todos.

Linguagem preferida:Em vez de:
Ela é uma pessoa que recebe ajuda/tratamento por problemas mentais ou problema de uso de substâncias ou deficiência psiquiátricaEla é uma paciente
Ele é portador de deficiênciaEle é deficiente
Ela é uma criança sem deficiênciasEla é normal
Ele foi diagnosticado com doença bipolar/Ele convive com transtorno bipolarEle é bipolar
Ela tem um problema de saúde mentalEla tem doença mental / emocionalmente perturbada / psicopata / louca
Ele tem uma lesão no cérebroEle tem o cérebro danificado
Ele tem sintomas de psicose / Ele ouve vozesEle é psicótico
Ela tem uma deficiência intelectualEla é retardada mental
Ele tem autismoEle é autista
Ele recebe serviços de saúde mentalDoente mental
Tentou suicídioSuicídio malsucedido
Morreu de suicídioCometeu suicídio
Estudante que recebe serviços educacionais especiaisEstudante de escola especial
Pessoa com transtorno de uso de substâncias/Pessoa que tem problema com álcool/drogasViciado, junkie
Tem, ou está sendo tratado de, ou foi diagnosticado com, ou tem história de, doença mentalSofre de, é vítima de, doença mental

“Palavras são muito importantes”, diz Michelle Riba, professora clínica de psiquiatria da Universidade de Michigan Health System, ao HuffPost. (Riba também é ex-presidente da APA, mas esteve envolvida na compilação de diretrizes.) “Deixe-me apenas dizer que isso não é só para jornalistas. Acho que isso ajuda todos a pensar em maneiras de falar sobre essas questões e se comunicar.”

Uma das mudanças mais importantes que se podem fazer quando se fala sobre a doença mental é parar de rotular as pessoas como doenças. Em vez de dizer que alguém é um paciente de câncer ou um esquizofrênico, por exemplo, a linguagem deveria ser “Essa é uma pessoa que tem câncer de mama” ou “Essa pessoa tem esquizofrenia”.

Há uma frase para este tipo de construção de frase: a linguagem com as pessoas em primeiro lugar, que a Mental Health America descreve como “falar e escrever de forma a reconhecer a pessoa em primeiro lugar e, em seguida, sua condição ou deficiência”

“Isso ajuda as pessoas a entender que a pessoa não é a doença, mas sim que a pessoa tem a doença”, diz Riba. “Isso não estigmatiza a pessoa – vai direto ao ponto de que a pessoa tem algo que precisa ser avaliado e tratado”.

Riba também observa que o termo “abuso de substâncias” foi retirado do mais recente adição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, que profissionais de saúde mental usam para determinar o idioma comum da profissão. A nova terminologia será “transtorno de uso de substância”.

“Descrever uma pessoa afetada como um indivíduo com, ou que sofre de, ‘transtorno de abuso de substância’ – em vez de ‘abusador de substâncias’ -- pode diminuir o estigma e aumentar a percepção da necessidade de tratamento” , disse John F. Kelly, professor associado de psiquiatria da Harvard Medical School, ao HuffPost, em março.

Uma maneira de enquadrar conversas e reportagens sobre doenças mentais é pensar criticamente sobre o objetivo da conversa ou reportagem.

“A mensagem que você está tentando transmitir costuma ser muito importante”, disse Riba. “Então as palavras virão na sequência.”

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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