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06/05/2015 13:46 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Deputados estaduais do Rio de Janeiro aprovam aumento de 93% para estagiários, que passam a ganhar mais do que professores

Montagem/Estadão Conteúdo

Se no Paraná os professores são alvo da violência policial e em São Paulo a greve da categoria é tratada como ‘peça de ficção’ pelo governo estadual, no Rio de Janeiro os docentes estaduais têm de lidar com outra triste realidade: ganhar menos do que estagiários da Assembleia Legislativa (Alerj). É o que acontece com base no aumento aprovado pelos deputados, de nada menos do que 93%.

Assim sendo, os profissionais com pouca experiência e critérios não muito claros de seleção ganham R$ 1.906,64 por mês, para trabalharem quatro horas diárias – anteriormente o valor era de R$ 990. Aos que têm nível superior, o valor sobe para R$ 2.860,41 – ante os antigos R$ 1.480,00. Segundo reportagem do Bom Dia Brasil, da TV Globo, o reajuste é mais do que o dobro da inflação oficial no período.

Já os professores estaduais do Rio ganham hoje, na melhor das hipóteses, um salário de R$ 1.179,35 – quase três vezes menos do que um estagiário com diploma universitário da Alerj.

Os deputados estaduais se justificaram. De acordo com o presidente da Alerj, Jorge Picciani (PMDB), a Casa descumpriu a regra de reajustar o salário dos estagiários nos últimos cinco anos, o que está atrelado ao salário mínimo no Estado. Para evitar processos judiciais, os parlamentares julgaram por bem conceder o aumento neste momento, o que saiu caro.

“Eu acho justo, não tenho nenhuma dificuldade de rever, mas acho justo sim. Acho que nós temos estagiários de muito bom nível. Mas ainda assim, se tiver acima, o que se tem que fazer é corrigir. O que não se pode fazer é cometer ilegalidade”, comentou Picciani, que foi acompanhado por colegas da base governista e da oposição.

“Esse estagiário ele não ganha alimentação, não ganha transporte e não gera depois nenhum custo de FGTS, de aposentadoria, etc”, opinou o deputado Carlos Minc (PT). “Não me parece um absurdo o valor estipulado, evidentemente desde que o estagiário trabalhe, cumpra horário e seja produtivo”, disse o deputado Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB).

Até mesmo o deputado estadual Marcelo Freixo (PSol), amplo crítico ao governo fluminense, defendeu a medida. “O estagiário é visto no mercado como mão de obra barata. A solução talvez não seja reduzir o salário do estagiário da assembleia, mas aumentar o salário de profissionais, como os professores”, comentou, em entrevista ao jornal O Dia.

PSOL defende critérios claros para escolha de estagiários e revisão de atosEstá em debate na Assembleia Legislativa do...

Posted by Marcelo Freixo on Terça, 5 de maio de 2015

Segundo o jornal Extra, não se sabe bem como é feito o processo seletivo para estagiar na Alerj. À publicação, a assessoria de imprensa da Casa disse que “cada departamento faz seu próprio processo”, o que abre espaço para o loteamento e indicações por partes interessadas que já trabalham na Alerj.

A repercussão da medida, claro, foi negativa. Na próxima semana, os parlamentares devem voltar a discutir o assunto e o reajuste, no patamar definido, pode ser revisto. Todavia, qualquer mudança só valerá para novos estagiários. Quem já trabalha na Alerj tem o benefício de 93% garantido.

Como todos os Estados brasileiros, o Rio também passa por dificuldades financeiras. Apesar disso, a Alerj alega que “fora economizados R$ 107,5 milhões, sendo R$ 57,4 milhões somente com despesas de pessoal”.

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