Como o 'stalking' no Facebook pode levar as mulheres a objetificar o próprio corpo

O stalking no Facebook é real e tem efeitos mais reais ainda sobre sua imagem corporal. Um novo estudo descobriu que o uso da rede social tem correlação positiva com a tendência de comparar aparências e de se auto-objetificar (enxergar o próprio corpo como um objeto a ser observado). Em ambos os casos, os resultados podem ser insatisfação com o corpo e distúrbios alimentares.

Pesquisadores australianos entrevistaram 150 mulheres de 17 a 25 anos para determinar que tipos de mídia elas consumiam e quais as faziam se sentir mal em relação a seus próprios corpos. Não foi surpresa saber que elas passam cerca de duas horas por dia no Facebook. Durante esse tempo, elas comparam imagens de si mesmas com as de amigas próximas (e não celebridades ou familiares, na maioria dos casos).

As participantes também responderam perguntas sobre o tempo passado na internet em geral, além de consumo de TV, videoclipes e revistas de moda. A única mídia que levou a comparações e à auto-objetificação foram o Facebook e as revistas de moda.

Então por que se preocupar com o Facebook quando as revistas de moda mostram celebridades e modelos tamanho 0 como o ideal de beleza? Primeiro, porque o consumo de revistas está caindo, enquanto o Facebook segue dominando um número cada vez maior das horas que passamos diante das telas – mais de 10 milhões de novas fotos são publicadas a cada hora.

Além disso, diferentemente das revistas, ele permite que os usuários alternem com um simples clique entre fotos de pares aparentemente “perfeitos” e fotos de si mesmo. A menos que haja um algoritmo que alerte os usuários quando suas amigas engordaram ou emagreceram, não há maneira mais fácil de se comparar com aquelas que dominam a pose estratégica da mão na cintura.

Os pesquisadores argumentam que os amigos nos fazem nos sentir mal a respeito de nossos próprios corpos simplesmente porque não são celebridades nem modelos (provavelmente). A maioria das pessoas concorda que as estrelas das revistas são uma parcela da população super-humana ou photoshopada além dos limites da realidade. Mas ficar olhando compulsivamente fotos de um conhecido pode ser particularmente danoso para a imagem corporal, pois, segundo dizem os pesquisadores, “são aparências consideradas alcançáveis o suficiente para se tornarem algo de comparação e, ao mesmo tempo, inalcançáveis o suficiente para influenciar como as mulheres avaliam sua própria aparência”.

É claro que esses resultados são meramente correlações. É impossível afirmar com base nessa pesquisa que navegar pelo Facebook causa todo tipo de auto-objetificação ou se as mulheres que tendem a se auto-objetificar o fazer simplesmente porque passam muito tempo nessa rede social.

De qualquer maneira, pode ser uma boa ideia maneirar no stalking se você se sentem menos que perfeita. Ou, pelo menos, saber o que vai acontecer com você quando clicar em centenas de fotos da lua-de-mel no Havaí da conhecida do colégio.

O estudo foi publicado na revista Pssychology of Women Quarterly.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.