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06/05/2015 15:47 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Alvo de racismo, jornalista de Brasília ganha comunidade e amplo apoio nas redes sociais; Polícia investiga ofensas

Reprodução/Facebook

Quem nunca trocou a sua foto no Facebook, certo? O que a jornalista Cristiane Damacena certamente não esperava é que isso fosse gerar uma série de ofensas racistas em sua página pessoal. O caso, que foi notícia nacional, acabou gerando uma reação da própria rede social. Criada nesta terça-feira (5), a página já ultrapassou as 2 mil curtidas em menos de 24 horas.

“Chega de racismo, chega de preconceito, vamos lutar por um Brasil melhor, racismo é crime!”, diz uma das postagens da página ‘Cristiane Damacena, Estamos com Você Linda’.

Chega de racismo, chega de preconceito, vamos lutar por um Brasil melhor, racismo é crime!!!!

Posted by Cristiane Damacena estamos com você linda on Terça, 5 de maio de 2015

Tudo começou no último dia 24 de abril, quando a jornalista moradora de Brasília trocou a sua foto no perfil pessoal. Cinco dias depois, mensagens com teor racista, com ofensas como “macaca” e “escrava”, tomaram conta das postagens na foto. A repercussão do caso, porém, fez com que os mais recentes comentários sejam em apoio a Cristiane.

Mensagens de cunho racista tomaram conta da postagem (Reprodução/Facebook)

Um deles compara a jornalista com a atriz Lupita Nyong’o, vencedora do Oscar do ano passado pelo longa 100 anos de escravidão. Feliz com o apoio que recebeu, Cristiane postou uma mensagem em agradecimento a todos.

Pessoas queridas, diante de tantas ligações e mensagens de apoio, eu só posso agradecer a todos vocês. Gostaria de...

Posted by Cristiane Damacena on Terça, 5 de maio de 2015

De acordo com o G1, a Polícia Civil do Distrito Federal já está investigando o caso. Os envolvidos nos comentários racistas, se identificados, podem responder pelo crime de injúria racial, cuja pena pode chegar a três anos de prisão. A jornalista informou que já está em contato com advogados para “tomar as medidas cabíveis”.

O promotor de Justiça Thiago Pierobom, responsável pelo Núcleo de Enfrentamento à Discriminação (NED) do Ministério Público do Distrito Federal (MP-DF) afirmou ao jornal Correio Braziliense que aguarda ser informado oficialmente do caso.

O caso possui semelhanças com o envolvendo o gaúcho Gustavo Guerra, responsável por páginas que denegriam a imagem das mulheres negras, além de incentivar o estupro e a superioridade branca.

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