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05/05/2015 20:03 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Em depoimento à CPI da Petrobras, ex-diretor 'não poupa ninguém' e desmonta versões de empresários e políticos

Montagem/Agência Brasil

O ex-diretor de abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa não poupou ninguém no depoimento prestado nesta terça-feira (5) na CPI da Petrobras. Ele desmontou a tese dos empresários que se dizem vítimas, a dos políticos que negam conhecê-lo e a dos partidos que dizem que não receberam dinheiro da estatal.

Costa afirmou também que o que quebra a Petrobras não é o gasto com a propina, mas as políticas internas, como a de segurar o preço da gasolina.

Saiba quais são os principais argumentos de Costa:

1. Não existe almoço grátis

Diferente do que as empreiteiras dizem, elas não são vítimas, de acordo com Costa. Segundo ele, não havia “achaque” à empresas, elas contribuíam porque tinham interesses, queria agradar e miravam no futuro. As doações para campanhas políticas são como empréstimos com juros.

“Se ela doa R$ 5 milhões, vai querer recuperar na frente R$ 20 milhões. (…) Isso remonta a aquilo que no mundo empresarial se fala muito: não existe almoço de graça. Por que uma empresa de capital privado ou com ações em bolsa vai doar R$ 10 milhões, R$ 20 milhões pra uma campanha eleitoral? Por que? Qual o motivo? Que a população brasileira coloque isso com muita clareza na sua cabeça.”

2. Cartel dos 3%

Costa voltou a repetir o que afirmou na delação premiada. Ele reiterou que, pela formação do cartel, havia o sobrepreço, de onde saia o dinheiro da propina. Se a empresa achava confortável ganhar 12% de lucro, ela colocava, ela colocava 3% acima pra fazer a distribuição pra grupo político, pra pessoas da Petrobras, pra intermediários do processo.

"O sobrepreço era os 3%, era o 2%, era o 1%, que se não tivesse a formação do cartel não teria porque seria um processo competitivo. Por não ser competitivo tinha esse sobrepreço.”

Costa admitiu que errou por não ter feito nada.

"Sabíamos do cartel? Sabíamos. Não tomamos nenhuma ação? Não tomamos nenhuma ação. Aí que nós erramos.”

3. O que arrebentou a Petrobras

A responsabilidade das contas negativas da Petrobras colocada na Operação Lava Jato não cola para o ex-diretor da estatal. Segundo ele, o que a arrebentou foi a defasagem nos preços, segurada pelo governo.

"O governo segurou o preço do diesel, o preço da gasolina, e esses valores possivelmente deram rombo de R$ 60, R$ 80 bilhões. Vamos imaginar que seja R$ 60 bilhões. A Lava Jato com R$ 6 bilhões 10% do rombo da Petrobras, que o governo manteve os preços congelados e arrebentou com a empresa. A Lava Jato é um problema? É. É o maior problema? Não é. O maior problema da Petrobras é a gestão política que fazem da companhia.”

4. Brasília: o berço dos problemas

Ao ser perguntado sobre a origem dos problemas da Petrobras, Costa foi categórico e disse que começou em Brasília pela ação de maus políticos.

Ele reafirmou que políticos do "PP, do PMDB e do PT” fizeram parte do esquema. Entre os nomes citados está o do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), do ex-ministro Mário Negromonte (PP), do senador Ciro Nogueira (PI). Do PT, ele mencionou o senador Humberto Costa (PE), Linbergh Farias (RJ). Nem a oposição foi poupada. O ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra, já falecido, foi lembrado, assim como uma negociação para ajudar a campanha do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, morto ano passado.

5. O sonho de se tonar diretor

Costa contou que, como engenheiro, sonhava em chegar à direção da estatal, mas sabia que precisaria de indicação política.

"Obviamente sabia que ia ter problemas, não sabia a extensão do problema. Na primeira conversa que eu tive com o deputado José Janene (PP) - morto em 2010 - ele falou 'nós vamos te apoiar e você vai ajudar o partido'."

6. Bom negócio de Dilma

O ex-diretor da Petrobras negou que tenha conversado sobre corrupção com a presidente Dilma Rousseff e defendeu a compra da refinaria de Pasadena, quando a mandatária comandava o Conselho de Administração da estatal.

"Na época não dava para afirmar que era um mau negócio. Comprar uma refinaria nos Estados Unidos era um bom negócio.”

Costa admitiu que enviou um e-mail para a presidente a alertando sobre o risco de paralisam de obras pelo Tribunal de Contas da União, mas disse que não havia relação com o esquema de desvio de verba. Ele também disse que repassou dinheiro para a campanha da presidente Dilma pelo doleiro Alberto Youssef.